20.06.2011 15:16

Saúde: Investigadores da Universidade de Coimbra identificam compostos vegetais para combate à Giardiose

Coimbra, 20 jun (Lusa) - Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra identificou compostos ativos vegetais que podem constituir uma nova estratégia terapêutica de combate à Giardiose, doença que anualmente atinge 280 milhões de pessoas em todo o mundo.

Coimbra, 20 jun (Lusa) - Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra identificou compostos ativos vegetais que podem constituir uma nova estratégia terapêutica de combate à Giardiose, doença que anualmente atinge 280 milhões de pessoas em todo o mundo.

Carlos Cavaleiro, coordenador do estudo, explicou hoje à agência Lusa que a doença é causada pelo parasita Giardia lamblia, que provoca graves infeções no intestino dos humanos, nomeadamente crianças, por vezes fatais, em países menos desenvolvidos.

"Trata-se de um parasita que afeta mais as populações residentes próximo de zonas húmidas, em países sem infraestruturas, em que a transmissão é feita através das águas, solos contaminados, alimentos e falta de higiene", adiantou o investigador do Centro de Estudos Farmacêuticos da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.

Segundo Carlos Cavaleiro, a investigação permitiu identificar em extratos de plantas -- capim-limão, orégão e uma espécie de tomilho - compostos que atuam sobre Giardia lamblia, que podem vir a representar uma alternativa terapêutica aos fármacos existentes.

"O que se pretende é uma alternativa terapêutica aos medicamentos existentes, que são caros, tóxicos e poucos eficazes devido às resistências do parasita", sublinhou o catedrático de Farmácia, salientando que os compostos vegetais têm "elevado potencial para virem a ser utilizados como novas estratégias terapêuticas, menos tóxicas e mais baratas".

A caracterização destes compostos ativos resulta de cinco anos de pesquisa por uma equipa multidisciplinar de quatro investigadores envolvidos diretamente, entre eles um brasileiro, mais alguns colaboradores, num trabalho liderado pelo professor Carlos Cavaleiro.

Até ao final do ano, acrescenta o investigador, deverão estar concluídos os ensaios em animais para comprovar que "não existem efeitos tóxicos" resultante da sua administração.

"Outra vantagem destes compostos vegetais é a sua estrutura simples, que permite a comercialização de um fármaco de baixo custo e com garantias de acesso às populações", destaca Carlos Cavaleiro, frisando que as plantas em causa podem ser cultivadas em vários locais para a produção do medicamento.





AMV.

Lusa/Fim