30.05.2011 11:42

Aldina Duarte canta fados a partir de clássicos literários no novo álbum

 
 

"Contos de Fados" é o título do novo álbum  de Aldina Duarte, que é editado hoje, em que a fadista desafiou  poetas a escreverem a partir de obras clássicas da literatura para melodias  tradicionais de fado. A par do lançamento, Aldina Duarte apresenta o  álbum em duas FNAC, na do Chiado pelas 18h30 e na do Colombo pelas 21h30. 

Referindo-se à opção pelo universo musical do fado clássico, que caracteriza  todos os seus álbuns, a fadista e letrista afirmou: "não sei é como vou  sair daí". 

"O fado tradicional tem uma margem tão grande de improviso, seja melódico,  seja ritmíco, seja pela possibilidade de contar inúmeras histórias tão diferentes,  que é um encanto", argumentou. 

"Tenho algumas músicas originais mas que nunca ultrapassaram o meu gosto  pelas melodias tradicionais, apesar das originais serem muito válidas",  acrescentou a fadista que se referiu à sua ligação com o fado tradicional  como "um caso de amor em que a paixão se reacende sempre". 

"Cuido dele diariamente, quer cantando na casa de fados, quer ouvindo discos, é um amor tão a sério que  acumula com a paixão que se reacende". 

Para a fadista o universo de 140 fados tradicionais é "um jogo de espelhos  que se pode levar até ao infinito". 

"O fado bailado (de Alfredo Marceneiro), por exemplo, basta contar outra  história ou alterar o tom, maior ou menor, e lá temos um fado completamente  novo e isso aplica-se a todos os outros tradicionais", defendeu. 

Neste álbum, apresentado como um livro, com prefácio (do editor Manuel  Valente), introdução (do musicólogo Rui Vieira Nery) e um poema de abertura  de Pedro Mexia, "A Balada do Café Triste" que é "uma síntese do disco",  a fadista interpreta os fados Cigano, Pagem, Pedro Rodrigues, Cravo, Amora,  Manuel Maria Marques, Menor do Porto, Vento, Esmeraldinha, Alberto, Franklin  Godinho e João" 

Os letristas escolhidos "são amigos", o que para a intérprete facilita  a interpretação pelo conhecimento que têm de si. Aldina defende que se deve  cantar letras e não tanto poemas, pois a letra "adapta-se mais facilmente  à música que a ajuda também e é a linguagem de todos os dias". 

Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, José Mário Branco e José  Luís Gordo são os poetas que desafiou a escrever "pensando numa obra literária",  além de uma letra de sua autoria, "Que Amor é Este?", a partir do romance  "O Eterno Marido", do russo Fiódor Dostoiévski que foi o primeiro escritor  estrangeiro que leu e como ninguém escreveu a partir dele, sentiu a "urgência  de o fazer". 

À Lusa, Aldina Duarte salientou que este quarto álbum é o primeiro em  que canta o "desamor". "Nunca cantei o desamor, o vazio, como é o caso de  'Ainda Mais Triste' é muito difícil cantar o vazio, uma mulher que  tem tudo para amar e não é capaz de amar". 

A fadista afirmou que este álbum "foi muito exigente em termos de interpretação"  e que a está a mudar, e citou o fado "À Espera de Redenção", de M. de Freitas,  a partir da tragédia clássica "Medeia", de Eurípedes. 

"Como cantar a frieza de Medeia?", interrogou. 

Habitualmente acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa)  e Carlos Manuel Proença (viola) a quem reconhece que "muito deve" e que  sem eles não seria a fadista que é hoje, Aldina Duarte neste CD além destes  dos dois músicos galardoados com o Prémio Amália, convidou para dois temas  o guitarrista Paulo Parreira e os violistas Miguel Ramos e Rogério Ferreira  que a acompanham na casa de fados e muitas vezes em concertos. 

Lusa