21.09.2012 23:16
Viúva de John Lennon entrega prémio pela paz às "Pussy Riot" detidas na Rússia
A viúva de John Lennon, Yoko Ono, concedeu hoje, em Nova Iorque, o seu prémio pela paz intitulado "LennonOno" às três jovens do grupo punk "Pussy Riot" atualmente presas na Rússia por terem cantado uma 'oração' anti-Putin.
"As 'Pussy Riot' acreditam na liberdade de expressão. Vou trabalhar para a sua libertação imediata", afirmou Yoko Ono, ao entregar a distinção a Piotr Verzilov, marido de Nadejda Tolokonnikova, uma das cantoras detidas.
Artista de rua, Piotr Verzilov viajou até Nova Iorque com Gera, quatro anos, filha da sua relação com Nadejda Tolokonnikova.
É uma honra imensa receber este prémio das mãos de Yoko Ono e de ver pessoas do mundo inteiro saírem à rua e fazerem ouvir a sua voz para manifestar apoio" às "Pussy Riot", disse Piotr Verzilov em inglês.
Nadejda Tolokonnikova, 22 anos, Ekaterina Samoutsevitch, 29, e Maria Alekhina, 24, foram condenadas a 17 de agosto a dois anos de prisão por "vandalismo" e "incitamento ao ódio religioso", depois de em fevereiro terem cantado uma "oração punk" na catedral do Cristo Redentor (ortodoxa) em Moscovo, pedindo à Virgem para "afastar (o Presidente russo Vladimir) Putin" do poder.
A polícia deteve na altura três elementos do grupo, tendo depois anunciado que lançou uma operação para capturar duas integrantes não identificadas do "Pussy Riot", das cinco que realizaram a apresentação punk na catedral moscovita contra o Presidente russo.
O grupo punk russo "Pussy Riot" anunciou, entretanto, que duas integrantes da banda, que estão a ser procuradas pela polícia, abandonaram a Rússia para não serem detidas no seguimento do protesto contra Vladimir Putin.
O Conselho Consultivo para os Direitos Humanos junto do Kremlin criticou a condenação das três jovens a dois anos de prisão, considerando que uma pena suspensa teria sido suficiente.
A Igreja Ortodoxa russa defendeu "a clemência" em relação às três jovens após a divulgação do veredito, sublinhando, no entanto, "não pôr em dúvida a legitimidade da decisão da Justiça".
O processo das "Pussy Riot" teve eco internacional e o julgamento foi criticado no estrangeiro, onde a sentença também foi considerada "desproporcionada".
Lusa
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