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Vhils foi a Washington questionar a liberdade

O artista plástico Alexandre Farto, conhecido como Vhils, tem patente até dia 24 de março, no Kennedy Center, em Washington, uma instalação que tem por objetivo levantar questões sobre liberdade. 

© Rafael Marchante / Reuters

"Há uma multiplicidade de ideias sobre liberdade, mas a liberdade, para ser real, tem de ser aceite por todos. Foi esta reflexão que conduziu este trabalho", explicou Vhils à agência Lusa.

Quem entra no centro cultural da capital norte-americana, pelo Hall of Nations, decorado com dezenas de bandeiras de todo o mundo, começa por ver centenas de folhas de papel brancas suspensas do teto a diferentes alturas.

A partir de um único ponto, assinalado com a impressão de dois pés, é possível ver todas essas folhas alinhadas para formar a palavra "freedom", liberdade em inglês.

Um passo para os lados e a palavra começa a desfazer-se; um passo para trás e a inscrição desaparece quase de imediato; um passo em frente e é como se a palavra implodisse, com as folhas a projetarem-se em todas as direções. 

"Queria mostrar que a liberdade é algo que depende do indivíduo, da sua situação e da sua cultura. É por isso que cada pessoa pode escolher ver a instalação à sua maneira", explicou Vhils à agência Lusa.

O artista sentiu-se inspirado pelo local, para criar esta peça: um centro cultural, nos Estados Unidos, batizado em nome do presidente John F. Kennedy, numa entrada onde estão bandeiras de todos os países que têm relações diplomáticas com os Estados Unidos. 

"Estamos nos Estados Unidos, o país que mais usa o argumento da luta pela liberdade, mas não vim aqui para julgar, vim levantar questões. É também uma peça que tem muito a ver com o momento que atravessamos, com o ataque ao Charlie Hebdo e todas as notícias que dão conta de um estado de vigilância", explicou o artista. 

O trabalho faz parte de "Iberian Suite: Arts Remix Across Continents", iniciativa de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha, que conta com a participação de artistas da lusofonia e da América Latina e que acontece até 24 de março, na capital federal norte-americana.

Este ano, Vhils surgiu nas listas '30 under 30', da revista norte-americana Forbes, que destaca jovens de sucesso, a nível mundial, com menos de 30 anos.

O artista, que já fez murais em mais de 50 cidades de todo o mundo, teve uma exposição a solo, chamada "Dissecação/Dissection", patente em Lisboa, no Museu da Eletricidade, que atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses de 2014.

 
Lusa
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