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Herberto Helder: 57 anos de poesia em dezenas de obras publicadas

"A morte sem mestre", o livro de inéditos escrito em 2013, publicado em junho de 2014, já esgotado, foi o último título do poeta Herberto Helder, falecido aos 84 anos na segunda-feira na sua casa em Cascais.

A obra foi publicada na Porto Editora, que também no ano passado publicou a poesia completa em "Poemas completos", obra que segue a fixação empregue na edição anterior, "Ofício cantante", e inclui os esgotados "Servidões", foi considerado pela crítica literária como o livro do ano em 2013, e "A morte sem mestre".

Herberto Helder estreou-se literariamente em 1958 com a obra "O Amor em visita", à qual se seguiu, os títulos "A colher na boca", "Poemacto" e "Lugar", editados nos princípios da década de 1960. 

O poeta madeirense começou a trabalhar para a Emissora Nacional como redactor do noticiário internacional e publicou, entretanto, "Os passos em Volta", obra reeditada pelo Porto Editora, em janeiro último.

Em 1968, envolveu-se na publicação de "Filosofia na Alcova", do Marquês de Sade, que desencadeou um processo judicial no qual foi condenado, com pena suspensa, o que não impediu que fosse despedido da rádio oficial.

Neste mesmo ano publicou "Apresentação do Rosto", uma autobiografia, livro que foi apreendido pela Censura.

Em 1969 tornou-se diretor literário da Editorial Estampa, onde começou a publicar a obra completa de Almada Negreiros.

Depois de ter trabalhado como repórter de guerra em Angola, partiu para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publicou "Poesia Toda", reunindo a sua produção poética até então, e fez uma tentativa falhada de publicar "Prosa Toda".

A Portugal, voltou só depois do 25 de Abril, já em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas, como meio de sobrevivência, tendo sido editor da revista literária Nova, de que se publicaram apenas dois números.

Depois de publicar, nos anos seguintes, mais algumas obras, entre as quais "Cobra" (1977), "O Corpo, o Luxo, a Obra" (1978) e "Photomaton & Vox" (1979), remeteu-se ao silêncio.

Em 1977 enviou uma carta à revista Abril, endereçada a Eduardo Prado Coelho, na qual sobre si escreveu: "O que é citável de um livro, de um autor? Decerto a sua morte pode ser citável. E, sobretudo, o seu silêncio".

Por isso, pediu aos amigos que não falassem dele num documentário que António José de Almeida pretendia realizar para a RTP2, em 2007.

O documentário, "Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro", acabou por ser feito, mas apenas adensou o mistério em torno da figura do poeta, já que 17 das 29 pessoas contactadas pela produção se recusaram a dar o seu testemunho.

 Em 2008 publicou "A faca não corta o fogo -- Súmula & Inédita", sucedendo-se no ano seguinte "Ofício Cantante".

Segundo a Porto Editora, Herberto Helder é um "poeta maior que ficará entre a meia dúzia de nomes incontornáveis da poesia portuguesa do século XX".








Lusa