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Artistas Unidos estreiam "Doce pássaro da juventude" de Tennessee Williams

Os Artistas Unidos levam à cena "Doce pássaro da juventude", de Tennessee Williams, com encenação de Jorge Silva Melo, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, a partir de quinta-feira.

Esta é a segunda vez que Jorge Silva Melo encena um texto de Tennessee Williams (1911-1983). A primeira vez foi no ano passado, "Gata em telhado de zinco quente", com o mesmo grupo de atores, e projeta encenar "A noite da iguana", em 2017. (Arquivo)

Esta é a segunda vez que Jorge Silva Melo encena um texto de Tennessee Williams (1911-1983). A primeira vez foi no ano passado, "Gata em telhado de zinco quente", com o mesmo grupo de atores, e projeta encenar "A noite da iguana", em 2017. (Arquivo)

© Herwig Prammer / Reuters

"Esta peça - disse Silva Melo à Lusa - é sobre como o tempo e a sexualidade vão destruindo as relações e a pureza da juventude".

Tal como noutras peças do dramaturgo norte-americano, também em "Doce pássaro da juventude" está patente "aquela que é uma das suas grandes preocupações: o tempo inexorável, que passa por cima de todos nós", assinalou Silva Melo.

Esta é a segunda vez que Jorge Silva Melo encena um texto de Tennessee Williams (1911-1983). A primeira vez foi no ano passado, "Gata em telhado de zinco quente", com o mesmo grupo de atores, e projeta encenar "A noite da iguana", em 2017.

O elenco é constituído por Maria João Luís, Rúben Gomes, Américo Silva, Catarina Wallenstein, Isabel Muñoz Cardoso, Mauro Hermínio, Nuno Pardal, Pedro Carraca, Pedro Gabriel Marques, Rui Rebelo, Simon Frankel, Tiago Matias, Vânia Rodrigues, Eugeniu Ilco, Alexandra Pato, André Loubet, Francisco Lobo Faria, João Estima, Mia Tomé, Tiago Filipe e a participação de João Vaz.

A tradução é de José Agostinho Batista, a cenografia e figurinos, de Rita Lopes Alves, e a peça deverá também ser levada à cena no Porto, adiantou Silva Melo.

O pano de fundo da peça, que decorre no sul dos Estados Unidos, "xenófobo, racista e capitalista", é "uma sórdida manobra política".

"Uma actriz enfrenta o desastre de uma vida, longe dos doces anos da sua juventude, e Chance Wayne, papel desempenhado por Ruben Gomes, que regressa à terra de onde partiu há anos à conquista do mundo, desta vez vem à procura da namorada que deixou anos antes, e envolve-se entretanto com atriz Alessandra del Lago, papel desempenhado por Maria João Luís", explicou.

"O tempo é de Páscoa, mas não haverá ressurreição, mas todos procuram voltar a um passado que imaginaram feliz", acrescentou Silva Melo. 

"A intriga sentimental entre a atriz, o jovem Wayne e toda a cidade é uma intriga com fortes conotações políticas", disse o encenador à Lusa, tendo referido que Tenessee Williams "se mostrava muito inquieto sobre o sentido desta peça, daí ter refeito tantas vezes o segundo ato".

Silva Melo afirmou que é uma "peça muito desequilibrada, com um longuíssimo primeiro ato, de quase uma hora, só com duas personagens, um segundo, curto, com 19 personagens e um terceiro curtíssimo, em que voltam as duas primeiras personagens, Alexandra del Lago e o jovem Wayne", disse.

Silva Melo afirmou que Tennessee Williams "chumbaria hoje nos atuais cursos de escrita criativa, pois comete todos os erros que são atribuídos agora pela máquina industrial de escrever e, no entanto, o espetador fica preso. É impressionante a maneira que ele tem de agarrar pelo segredo, pelo inconfessado, o espetador - é um mestre nisso".

O encenador referiu-se ao dramaturgo norte-americano como "um gigante do século XX, não tanto pela perceção formal ou de propostas cénicas, mas de sensibilidade".

"Todos os seus textos tremem, estremecem, têm segredos, são recônditos, e permitem aos atores trabalhos absolutamente, notáveis, e foi isso que me atraiu, e procurei dar aos atores papéis cheios de riqueza, 'nuances', de contradições", afirmou.
Lusa
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