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Uruguaios de todas as idades emocionados na despedida de Eduardo Galeano

O parlamento do Uruguai abriu hoje as portas para que cidadãos de todas as idades e representantes da política e da cultura pudessem despedir-se do escritor Eduardo Galeano, falecido na segunda-feira.

© Andres Stapff / Reuters

"Sinto um profundo respeito e não estar aqui seria um pecado. Vai ser um dia de multidões", disse à agência de notícias espanhola, Efe, Estrella Cornejo, antiga vizinha do autor e a primeira pessoa a entrar no Salão dos Passos Perdidos em que durante sete horas se velarão os seus restos mortais.

O vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic, também titular da Assembleia-Geral, foi o encarregado de presidir aos primeiros minutos do velório, que começou às 15:00 locais (19:00 em Lisboa) e terminará às 22:00 (02:00 de quarta-feira em Lisboa).

O veículo funerário foi recebido por uma guarda de honra de um batalhão de infantaria, que escoltou a urna de Galeano até ao centro do salão, onde, poucos minutos depois, repousava rodeado de coroas de flores e coberto por uma bandeira do Uruguai.

"Era um escritor e um poeta maravilhoso que vou transportar toda a vida no coração. Abria-nos os caminhos, indicava-nos o caminho. Coube-lhe viver uma época muito difícil. O que ele escreveu serve para nós e para o futuro", disse, por sua vez, Marta, outra cidadã que se foi despedir de Galeano.

Pouco a pouco, ao Palácio Legislativo uruguaio foram chegando familiares do escritor de "As Veias Abertas da América Latina" e "Memória do Fogo", para quem foram colocadas cadeiras junto ao caixão, aguardando-se a chegada do Presidente uruguaio, Tabaré Vázquez.

Comovido até às lágrimas, Jorge, também dos primeiros a acorrer ao local, descreveu a "enorme perda" que para ele representou a morte de Eduardo Galeano.

"Ajudou a minha geração a pensar. Abriu-nos os olhos. Fez-nos conhecer e entender a injustiça do continente e do mundo e colocarmo-nos ao lado dos mais fracos", sublinhou.

Na sua opinião, com a morte de Galeano, morre "uma parte de nós, dos melhores valores, da solidariedade e das palavras 'companheiro' e 'revolução'. Ajudou-nos a entender os povos". 

"Um escritor como tivemos poucos. Dessa geração, já não nos resta nenhum com um tamanho assim", observou a mulher de Jorge.

Outro cidadão uruguaio, cujos pais morreram durante a ditadura militar no país (1973-1985), período em que o escritor se exilou primeiro na Argentina e depois em Espanha, afirmou que o conheceu há 15 anos.

"Contou-me coisas que não tenho palavras para descrever. É um bom representante dos que sofreram no Uruguai e na América", frisou.

Jovens e idosos, com flores, com cartas e outros objetos, acorreram a homenagear Galeano, cujo corpo será cremado na quarta-feira, indicou o diretor de protocolo e relações públicas do parlamento, Carlos Yaffé.

A morte de Eduardo Galeano, que tinha 74 anos e era considerado um dos escritores mais importantes e politicamente empenhados da literatura latino-americana, comoveu o seu Uruguai natal e desencadeou uma onda de pesar de figuras políticas e das letras de todo o mundo.






Lusa
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