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Daniel Innerarity diz que sem cultura temos uma sociedade descompensada

O ensaísta espanhol Daniel Innerarity afirmou hoje, em Lisboa, que, "sem cultura, temos uma sociedade descompensada".

Centro Cultural de Belém. (Lusa/Arquivo)

Centro Cultural de Belém. (Lusa/Arquivo)

© Desmond Boylan / Reuters

O catedrático e investigador da Universidade do País Basco falava no fórum "O Lugar da Cultura, Modelos e Desafios", que se realiza até sexta-feira, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

Na sua alocução, de cerca de dez minutos, à qual assistiram perto de uma centena de pessoas, o catedrático espanhol afirmou que "a cultura é a melhor educação para a cidadania".

Innerarity considerou que não é na tecnologia que as sociedades atuais vão encontrar as soluções para os problemas que enfrentam, pois é necessária a "superestrutura simbólica" que a cultura e as humanidades dão.

Segundo o ensaísta, "há um analfabetismo cívico" e considerou sem fundamento as crenças, "da direita à esquerda, na tecnologia para a revitalização da democracia".

Innerarity afirmou que se defende uma sociedade da informação com cada vez maiores armazenamentos de dados, mas à qual falta "uma inteligência interpretativa" que é dada pela cultura.

O catedrático basco considerou que nenhuma sociedade se desenvolve sem valores intuitivos, criativos e artísticos, "e estes não se podem reduzir às tecnologias disponíveis".

Antes de Innerarity, usou da palavra Jonathan Taplin, da Universidade da Califórnia do Sul, que advertiu que se corre o risco de perder a memória coletiva e afiançou que, "nos próximos 30 anos, os 'robots' vão tirar-nos os empregos e fazer tudo".

Daniel Innerarity, 55 anos, é professor catedrático de Filosofia Política e Social na Universidade de Saragoça, professor convidado na Sorbonne, em Paris, investigador na Universidade do País Basco e autor de "A Transformação da Política", prémio de Ensaio Miguel de Unamuno e Prémio Nacional de Literatura de Espanha, obra que o colocou a par do português José Gil, na lista dos "25 grandes pensadores do mundo" da Nouvel Observateur. 

"A Sociedade Invisível" e "O Novo Espaço Público" são outras obras premiadas de Innerarity.

O norte-americano Jonathan Taplin, 67 anos, escritor, produtor cinematográfico e académico, produziu a primeira longa-metragem de Martin Scorcese, "Mean Streets" ("Os Cavaleiros do Asfalto") e o seu filme "A Última Valsa", com o concerto de despedida dos The Band. Taplin fez parte da equipa que desenvolveu o sistema de video on demand.

É autor de "Outlaw Blues: Adventures in the Counter-Culture Wars" ("A balada dos fora da lei: aventuras nas guerras da contra cultura", em tradução livre).

O Fórum "O Lugar da Cultura" debate, desde hoje, no Centro Cultural de Belém (CCB), e durante três dias, o papel da cultura nos modelos de desenvolvimento das sociedades atuais. 

Na quinta-feira, o fórum, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, prossegue com o colóquio "Cultura e Desenvolvimento - Estudos Cultura 2020", no quadro europeu de financiamento 2014/2020, e, na sexta-feira, com mesas redondas sobre as políticas setoriais, com a participação dos principais responsáveis de organismos públicos desta área.

Lusa

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