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Filme inédito de Manoel de Oliveira será exibido em Cannes

O filme "Visita ou memórias e confissões", que Manoel de Oliveira rodou nos anos 1980 para ser mostrado publicamente só após a morte, será exibido em maio, no Festival de Cinema de Cannes, em França, revelou a organização. O filme terá estreia mundial a 4 de maio no Porto.

(AP/ Arquivo)

(AP/ Arquivo)

AP Images - Matt Sayles

O festival de Cannes, que por várias vezes reconheceu o cinema de Manoel de Oliveira, irá mostrar aquele filme no âmbito de um tributo, cerca de um mês depois da morte do cineasta, a 02 de abril, aos 106 anos.

Antes de Cannes, "Visita ou memórias e confissões" terá a primeira exibição pública, em estreia mundial, na segunda-feira, no Teatro Municipal Rivoli, no Porto. Na terça-feira, será mostrado na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

Contactada pela agência Lusa, a filha de Manoel de Oliveira, Adelaide Trepa, afirmou que, "a curto prazo", não está prevista qualquer exibição comercial do filme, mas não descartou essa hipótese.

Com diálogos escritos por Agustina Bessa-Luís, para as vozes de Diogo Dória e Teresa Madruga, "Visita ou memórias e confissões" é um filme biográfico de Manoel de Oliveira, rodado quando tinha 73 anos, na casa onde viveu cerca de quatro décadas com a mulher, os filhos e os netos.

O realizador tinha depositado uma cópia na Cinemateca Portuguesa, deixando estipulado que o filme só deveria ter exibição pública após a morte.

"O cinema é a minha paixão e sempre tudo sacrifiquei à possibilidade de poder fazer os meus filmes", afirma o realizador para a câmara, numa das divisões daquela casa, fio condutor da obra.

O filme é dedicado à mulher, Maria Isabel, "a realidade sem subterfúgios", que aparece por breves minutos a apanhar flores e a falar sobre a relação com Manoel de Oliveira.

A partir daquela casa, na qual filmou algumas divisões e os jardins e sobre a qual disse existir "um certo mistério", Manoel de Oliveira recordou a história familiar, apresentou os pais, os filhos e netos, recorrendo apenas a fotografias.

Manoel de Oliveira fez "Visita ou memórias e confissões" quando estava a preparar a rodagem de "Non ou a vã glória de mandar", que descreveu como uma reflexão sobre o 25 de Abril de 1974 e, ao longo da obra, faz referência aos filmes que já tinha escrito e ainda não tinha conseguido rodar, nomeadamente "O estranho caso de Angélica".

Durante pouco mais de uma hora, Oliveira aborda ainda a relação com a morte e com o sofrimento, com as mulheres - "exercem um fascínio enorme sobre mim" - e recorda os dias que passou na prisão, no Aljube, em Lisboa, depois de ter sido detido e interrogado pela PIDE, nos anos 1960.

Lusa
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