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Documentário "Pára-me de repente o pensamento" estreia-se na quinta-feira nos cinemas

O documentário chama-se "Pára-me de repente o pensamento" e estreia-se na quinta-feira, mas o realizador Jorge Pelicano disse hoje que se surpreendeu perante a lucidez do pensamento que encontrou no hospital psiquiátrico Conde de Ferreira, no Porto.

paramederepenteopensamento.com

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O documentário teve a sua estreia mundial no DocLisboa do ano passado, mas vai estar disponível em sala a partir de quinta-feira, no cinema City Alvalade, em Lisboa, e no UCI Arrábida, em Vila Nova de Gaia, tendo previstas exibições na Guarda, na Figueira da Foz e em Viseu durante o mês de maio.

"Interessa-me, do ponto de vista cinematográfico, retratar lugares ou instituições desconhecidas. Os hospitais psiquiátricos fazem parte desse leque do desconhecido porque ao longo de décadas nunca foram espaços abertos à sociedade em geral e muito menos ao cinema", explicou à Lusa Jorge Pelicano, que disse que a sessão oficial, no Teatro Nacional de São João, no Porto, também na próxima quinta-feira, com a presença de utentes do hospital psiquiátrico, está já esgotada.

Jorge Pelicano referiu que o filme procura ser "muito de diálogos e de tentar perceber que há muita lucidez no meio daquele pensamento, naquele cérebro que tem uma doença".

Em "Pára-me de repente o pensamento", cujo título advém de um poema de Ângelo de Lima, o ator Miguel Borges entra no hospital e lá permanece durante três semanas para preparar uma peça de teatro sobre loucura, acabando por fazer parte do elenco de uma outra peça sobre os mais de 130 anos da instituição.

"É um filme muito difícil de fazer, com muitas limitações, a câmara não anda livre, o realizador não pode andar livre, se há uma censura também é minha. Às vezes havia utentes que não tinham noção do que eu estava a fazer. Houve histórias que não consegui contar porque não sabia a maneira de as contar", reconheceu Jorge Pelicano.

Isto porque, para além de o próprio hospital ter de cumprir a sua missão de proteger os utentes, uma das premissas do documentário "era tentar contar uma história, mas uma que conseguisse respeitar aqueles utentes que lá estão".

"É um filme duro, mas também com algum riso, porque há personagens que são engraçados e que nos ajudam a rir e que livram alguma dureza que o próprio filme tem. É um filme de amor, porque há muito amor naquele filme. O Miguel Borges sentiu muito amor, muito carinho, muito afeto", realçou o realizador.

Desde a apresentação no DocLisboa, o filme já recebeu vários prémios, como o grande prémio do Caminhos do Cinema Português, onde também recebeu o prémio do público e de melhor realizador, para além do prémio Signes, no festival Signes de Nuit.

Lusa
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