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Porto abre portas de museu judaico com nome de 900 vítimas da inquisição

O Museu Judaico do Porto abriu portas esta semana para dar a conhecer a história da comunidade desde a época medieval até aos dias de hoje e onde é possível saber o nome dos 842 portuenses vitimados pela Inquisição.

© Bogdan Cristel / Reuters / Arquivo

É no primeiro andar da sinagoga Kadoorie Mekor Haim, a maior da Península Ibérica, que está instalado o museu judaico da Comunidade Israelita do Porto (CIP), fundada em 1923 pelo capitão Barros Basto e por judeus provenientes da Europa Central que residiam na cidade.

As memórias do capitão estão presente numa das três salas do museu onde se expõe a sua espada e a sua kipá, ou solidéu (chapéu usado pelos judeus como lembrança da soberania divina), e onde se lembra a sua "Obra do Resgate" de criptojudeus, aqueles que praticavam sua fé e seus costumes em segredo, por receio de perseguições religiosas.

Com a ideia de que existiriam milhares de judeus em Portugal, Barros Basto, ou Ben-Rosh, lançou-se uma campanha para resgatar outros judeus marranos como ele, descendentes de judeus portugueses e espanhóis que foram obrigados a converterem-se ao cristianismo pela imposição da Inquisição.

Nos anos que seguiram à inauguração, o percurso de Barros Basto "não foi fácil, mas foi entusiasmante" até pelo trabalho "de um valor extraordinário" que desenvolveu "numa época complicada e difícil" e pelo qual "sofreu as consequências de uma perseguição religiosa", relatou Isabel Lopes, vice-presidente da comunidade.

A história remonta a 1937 quando o Conselho Superior de Disciplina do Exército decidiu pela "separação do serviço" do capitão Arthur Carlos Barros Basto, reabilitado em 2012, por considerar então que não possuía "capacidade moral para prestígio da sua função e decoro da sua farda".

No museu, e além das obras do capitão, "pode-se ver a biblioteca, alguns objetos religiosos, muitos documentos relacionados com os trabalhos de Barros Basto e todo um edifício que é emblemático".

Está também exposta "uma lista de quase 900 nomes de pessoas que foram vítimas da inquisição [no século XIV] e que pode ser vista numa placa onde eles estão transcritos" e que foi possível recolher na Torre do Tombo, assinala a responsável.

A placa, representativa de uma listagem de nomes que poderá estar na entrada atrás de um painel de azulejos, mostra "a história do judaísmo no Porto e portanto é muito importante para não deixar esquecer e mostrar que houve este tipo de acontecimentos na cidade", acrescentou.

Numa das salas expositivas foi recriada "antiga Yeshivá, uma escola judaica que existiu na nossa sinagoga durante seis anos e onde nós decidimos mostrar um pouco da cultura, rituais e objetos judaicos" como a menorá (candelabro de sete braços símbolo do judaísmo), a chanukiá (candelabro de nove braços usado no feriado do Chanuká ou Festa das Luzes), mezuzá (pergaminho com mandamento da Torá), talit (xaile usado durante as preces) e tefilin (caixinhas com pergaminhos da Torá), contou Hugo Vaz, do departamento do turismo da comunidade.

Apesar de já estar em funcionamento, a inauguração oficial do museu está marcada para 28 de junho e a cerimónia será presidida pelo presidente da Comunidade Israelita do Porto, Dale Jeffries, e pelo rabino da sinagoga, Daniel Litvak. 

O museu está aberto de domingo a sexta-feira, das 09:30 às 17:30 e é recomendada a marcação de visita, até porque quase todos os dias há escolas a visitar a sinagoga que em 2014 recebeu cerca de 10 mil pessoas.



Lusa
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