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Centro Nacional de Cultura celebra 70 anos esta quarta-feira

O Centro Nacional de Cultura (CNC), que celebra 70 anos na quarta-feira, foi criado por jovens ligados ao teatro e às artes plásticas, tendo sido o berço de projetos como o Grupo Fernando Pessoa e a Casa da Comédia.

cnc.pt

Em declarações à agência Lusa, o presidente do CNC, Guilherme D'Oliveira Martins, explicou que a data será celebrada com uma gala em homenagem a todos os que "deram o melhor de si" ao centro.

O Auditório do Museu do Oriente vai receber, pelas 21:00, um espetáculo com Katia Guerreiro e António Chainho, atuais sócios, além de uma invocação da Casa da Comédia, projeto levado a cabo pelo CNC nos anos 50.

Esta gala também vai prestar homenagem às personalidades associadas ao centro, das origens à atualidade. Gonçalo Ribeiro Teles, arquiteto e "único sócio-fundador vivo", Alberto e Helena Vaz da Silva, Sophia de Mello Breyner e Francisco de Sousa Tavares são os nomes destacados pelo presidente. 

Em retrospetiva, Guilherme D'Oliveira Martins referiu que o CNC nasceu oito dias depois do fim da II Guerra Mundial.

"Era uma boa oportunidade para, perante as novas esperanças que a paz poderia trazer, lançar uma iniciativa de jovens entorno da cultura e do diálogo cultural", confessa o presidente.

Feito por jovens e com uma forte ligação inicial com o teatro e as artes plásticas, o CNC foi o berço de projetos como o Grupo Fernando Pessoa e a Casa da Comédia.

O atual presidente não consegue descurar a figura de Almada Negreiros do apadrinhamento do CNC nas suas origens, o que justificou pela admiração que os jovens da época sentiam pela primeira geração modernista, à qual acrescentou os nomes de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Amadeo de Souza-Cardoso, nas artes plásticas.

Nos anos 50, o papel do CNC foi ativo na promoção do diálogo entre pensadores, escritores e poetas, função que se tornou mais importante por altura da candidatura de Humberto Delgado, da carta do Bispo do Porto a Salazar, e da criação da Editora Morais e da revista "O Tempo e o Modo".

Gonçalo Ribeiro Teles, único sócio-fundador vivo, trouxe à ribalta temas até então pouco debatidos: a defesa do meio ambiente, o urbanismo e a salvaguarda da qualidade de vida.

Guilherme D'Oliveira Martins caracterizou o CNC como "o exemplo de uma instituição da sociedade civil, quer no apoio aos jovens criadores, quer na preservação do património", mantendo "uma relação de grande independência com o Estado".

Com a liderança de Francisco de Sousa Tavares e Sophia de Mello Breyner, o CNC assume um papel fundamental na "defesa intransigente da liberdade", e acolhe, nos anos 60, a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos.

A propósito do 25 de abril de 1974, Guilherme D'Oliveira Martins contou que o então presidente, Francisco de Sousa Tavares, foi o primeiro civil a fazer uma intervenção no Largo do Carmo, o que se pode corroborar por uma fotografia da época, onde o próprio em cima de uma guarita com um megafone.

Depois da revolução, é o historiador José Augusto França quem sobe à presidência e quem "dá ao centro uma componente muito forte ao nível da defesa do património". Helena Vaz da Silva é quem lança "os roteiros e os famosos passeios de domingo".

Ao nível internacional, o CNC coordenou as Jornadas Europeias de Património e é o representante português da Europa Nostra, a primeira rede europeia de defesa e salvaguarda do património, responsável, por exemplo, pelo restauro do Convento de Jesus de Setúbal e dos Carrilhões de Mafra.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva também foi alvo de destaque por parte do presidente, que o caracterizou como "de grande prestígio. Em outubro, será anunciado o vencedor da terceira edição.

Setenta anos depois, o CNC promete "não baixar os braços, sobretudo a nível internacional", querendo "atrair projetos de qualidade a Portugal", sob o signo da inovação e da criatividade.

Guilherme D'Oliveira Martins acredita que o CNC tem "um papel útil para a defesa e salvaguarda de uma língua de várias culturas, com dimensão e projeção universal, e, simultaneamente, de uma cultura de várias línguas".
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