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Arte urbana alerta para os maus tratos de pessoas e animais

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Centenas de paredes de edifícios abandonados em Leiria, agora pintadas, contam a história de pessoas e animais, num alerta público para os maus tratos.

PAULO CUNHA

Paulo Cunha

Paulo Cunha

Ricardo Romero artista e fundador do "projeto Matilha"

Ricardo Romero artista e fundador do "projeto Matilha"

PAULO CUNHA

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PAULO CUNHA

Catarina Dias gerente do "projeto Matilha"

Catarina Dias gerente do "projeto Matilha"

PAULO CUNHA

O "Projecto Matilha" tem a pegada de Ricardo Romero, que alia a arte urbana a uma causa.

Um dos últimos trabalhos de Ricardo Romero foi pintado no PataiasPatas Parque, no concelho de Alcobaça, distrito de Leiria. O artista já projetou dois dos cães da fotógrafa alemã Elke Vogelsang, Scout e Loli, que foram resgatados e, mais uma vez, "chama a atenção para o problema dos animais abandonados", refere a coordenadora do "Projecto Matilha" Catarina Dias.

Em Leiria, é impossível não reparar nos cães gigantes que estão pintados a grafito sempre que se viaja pelo Itinerário Complementar n.º 2 (IC2), no Alto do Vieiro, em ambos os sentidos. Numa das paredes envelhecidas está também o retrato da filha de Ricardo Romero.

"Todos os cães têm uma história e todos existem. Todas as histórias são verdadeiras. Infelizmente, temos um mundo muito rico de histórias para contar, seja por perderem muito pelo, por se babarem muito ou porque apareceu um bebé e já não podem coexistir os dois seres. Representamos sempre a realidade", explica Catarina Dias.

Para Ricardo Romero, o "Projecto Matilha" "acaba por ser uma forma de estar na vida". O artista começou por pintar desde cedo e "inconscientemente" percebeu que quase sempre pintava figuras de animais. "Como sempre, respeitei muito a causa animal, cheguei a uma determinada altura e vi-me na obrigação de encontrar um conceito para o trabalho que vinha a desenvolver nos últimos anos. E foi assim que surgiu o 'Projecto Matilha'", relatou.

Quem utiliza a parede de escalada no parque radical de Leiria sobe e desce pela imagem do Bruno e do senhor Luís, o beato Salú. "Esta parede foi talvez das primeiras que comecei a pintar. Nesta altura, tinha ideia de contar às pessoas histórias reais do melhor amigo do homem, fosse ele animal racional ou irracional. Histórias felizes e histórias menos felizes", revelou Ricardo Romero.

A figura do homem representa o senhor Luís, de Évora, cidade de onde Ricardo Romero é natural. "É uma pessoa que toda a gente conhece como 'beato Salú'. É um filósofo da rua. É uma pessoa que pinta, que escreve, que tem um mundo muito próprio. É um amigo das pessoas de Évora, que tem valores como o companheirismo, amizade e lealdade".

Já o Bruno é um boxer, que foi resgatado em Espinho, juntamente com o Gaspar (o cão de Romero). "Foi adotado por uma senhora, mas até aos cinco, seis anos foi um cão muito mal tratado."

O objetivo "primordial" do "Projecto Matilha" é "chamar a atenção das pessoas para a causa animal e até mesmo para causas sociais e flagelos da sociedade", porque, "ninguém passa indiferente a estas peças", frisa Ricardo Romero. que não assina os desenhos. "Só isso, já obrigava as pessoas a terem curiosidade sobre o que esse estava a passar".

Catarina Dias acrescenta que o "Projecto Matilha" "incide essencialmente nos direitos dos animais, mas também se vê um bocadinho o animal como uma representação do animal não humano mas também humano".

O Loli, por exemplo, "é um animal que não tem um olho, é deficiente, certamente até foi essa a razão que o fez ser abandonado e é substituir a imagem do animal pela imagem de uma pessoa onde também ela sofre de maus-tratos e é negligenciada e excluída socialmente por ser portadora de uma deficiência, por ser de uma raça diferença".

"A luta que queremos pelo animal acaba por ser a luta que também é feita pelos direitos humanos. Pelos animais vemos como é que se tratam os humanos, sobretudo, os com mais fragilidades, como os portadores de deficiência, crianças, idosos, oriundos de origens diferentes. Este novo projeto quer refletir sobre isso, mas também agir".

Lusa

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