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Porto vai ser a capital do órgão a partir de domingo

O Porto será a capital do órgão a partir de domingo, com 85 concertos agendados para vários pontos da cidade, num festival internacional que se pretende bienal e com o qual se espera disseminar a música sacra por todos os públicos.

Christophe Ena

"O Festival Internacional de Órgão da cidade do Porto e do Grande Porto não é senão um ato de veneração ao órgão, aproveitando-nos nós da oportunidade da passagem do 30.º aniversário da inauguração do grande órgão da Sé Catedral do Porto", explicou António Ferreira dos Santos, um dos mentores da iniciativa.

Ao longo de 10 dias haverá música por 24 igrejas dos concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Gondomar e Gaia, bem como em espaços "de grande relevância" como o aeroporto de Sá Carneiro, a Estação Ferroviária de São Bento, estação dos Aliados do metro e Câmara Municipal do Porto.

E porque em Portugal a música de órgão está "muito conotada com a religião", a organização levará o evento para espaços públicos, mostrando que este "é um instrumento do mundo", assinalou Rui Veríssimo, organista e diretor artístico.

Este será o 3.º festival na cidade do Porto que tem o órgão como mote, permitindo à população "ouvir o instrumento em todas as suas variadas formas de expressão", acrescentou.

Além das atuações, mais de metade das quais asseguradas por alunos da Escola das Artes da Universidade Católica, o festival conta também com 'workshops', simpósios e visitas de estudo.

O encontro, que pretende também assinalar o 20.º aniversário do órgão de tubos da Igreja da Lapa, será também uma homenagem ao seu construtor Georg Jann, que segundo o cónego Ferreira dos Santos, "deu um testemunho tocante a favor da cultura do instrumento."

Com um orçamento de 320 mil euros, parcialmente assumido pelo instituto Goethe que trará ao Porto 150 artistas, o evento apresentará no Grande Porto o órgão em diversos contextos "ora a solo, ora com solistas cantores, ora com instrumentistas, ora com coros, ora com orquestra".

Para rematar o festival, que todos os dias ecoará pela cidade às 12:00, 18:00 e 21:30, está marcado um concerto na Sé do Porto com o organista Martin Baker da Catedral de Westminster, Inglaterra, acompanhado por fogo-de-artifício a interpretar a tocata e fuga em ré menor de Bach.

"No último acorde dessa obra, em apoteose, e juntando-se ao fogo que sai para o ar dos claustros, vai para o ar, também, fogo-de-artifício dos 11 lugares onde se decorreram concertos", acrescentou o responsável para quem o órgão da Sé do Porto marca o início do Novo Testamento na música sacra da cidade e da região.

A abertura do festival está marcada para as 16:00 de domingo na Sé Catedral do Porto e 45 minutos depois haverá repique dos sinos e carrilhões de todas as 24 igrejas que integram o evento.

Lusa

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