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Morreu o pintor português António Costa Pinheiro

O artista plástico António Costa Pinheiro, um dos fundadores, em 1958, do grupo KWY, morreu na sexta-feira, na Alemanha, vítima de pneumonia, disse hoje à Lusa o galerista português Mário Roque.

© Carlos Barria / Reuters

De acordo com o galerista, que cita informações da mulher do pintor, o corpo de António Costa Pinheiro deverá ser cremado na segunda-feira, na Alemanha, e, mais tarde, as cinzas deverão ser depositadas, a pedido do próprio, em Quelfes (Olhão), onde o pintor tinha casa.

"Costa Pinheiro, o pintor ele-mesmo" é o título da exposição sobre o artista plástico, patente na Galeria S. Roque, em Lisboa, que faz uma retrospetiva da obra do artista, desde os primeiros anos na Alemanha.

Com 82 trabalhos em tela e em papel -- 70 de catálogo e 12 fora de catálogo -- a mostra percorre, sobretudo, o trabalho do artista plástico entre 1955 e 1985 e está patente até 31 de dezembro.

António Costa Pinheiro nasceu em Moura, em 1932, e fixou-se com os pais, em Lisboa, aos 10 anos, tendo frequentado o Liceu Camões, e a Escola de Artes Decorativas António Arroio, seguindo-se, mais tarde, a Academia de Belas Artes de Munique, na Alemanha.

A primeira exposição individual de António Costa Pinheiro realizou-se em Lisboa, em 1956, na Galeria Pórtico.

Nessa altura, acompanhava um núcleo de artistas mais velhos, entre os quais se destacavam Fernando Lemos, de raiz modernista, e Fernando Azevedo e Vespeira, do Grupo Surrealista de Lisboa.

A partida para a Alemanha, em 1957, verificou-se depois do serviço militar, juntando-se em Munique a René Bertholo e Lourdes Castro, com quem expôs na Galeria 17 e na Internationales Haus.

Foi já na Alemanha que cofundou o grupo KWY, com René Bertholo, Lourdes Castro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo.

As três letras que, à data, não integravam o alfabeto português, KWY, foram aproveitadas pelos artistas para a composição da frase irónica "ká wamos yndo".

É deste período, aliás, "o grosso dos trabalhos" agora patentes em Lisboa, como disse à Lusa Mário Roque.

Organizada pelo galerista, em colaboração com o artista plástico, a sua mulher, Katrin -- a quem o pintor fazia questão de chamar Catarina -, e os dois filhos de ambos, a mostra tem curadoria de Bernardo Pinto de Almeida, que considerou a obra do pintor "uma das mais corajosas, coerentes e lúcidas da segunda metade do século artístico e cultural português", como escreveu na monografia dedicada ao artista, publicada pela Caminho, em 2005.

Expostas na Galeria S. Roque estão também, segundo o galerista, telas da fase "Citymobil" -- que sucede à fase dos "Reis" -- e na qual o pintor construiu maquetas de uma cidade imaginária, que expôs na Alemanha assim como numa retrospetiva na Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma das últimas intervenções de Costa Pinheiro em espaço público, em Portugal, foi na estação de Metro da Alameda, em Lisboa, com painéis de azulejo sob o tema "Os descobridores".

Entre os seus trabalhos destacam-se igualmente os painéis dedicados a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos.

No início da década de 1960, quando era bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, participou na exposição do grupo KWY na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, apontada por historiadores de arte portuguesa como um dos marcos do "início dos anos 60" em Portugal.

Em 2001, o grupo KWY foi novamente alvo de retrospetiva, numa exposição do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

Em 1961, o pintor regressou a Lisboa, onde chegou a estar detido em Caxias, pela polícia política da ditadura, por ter assinado um papel enviado ao Presidente da República, Américo Tomás, na sequência do assassínio do pintor José Dias Coelho, pela PIDE, em 1961.

Em 1963 voltou a Munique e foi na cidade da Baviera que expôs individualmente, com base regular, na Galeria Leonhart.

Em 1967, recebeu o prémio de pintura -- Förderpreis - da Cidade de Munique.

São de meados da década de 1960 os retratos imaginários que António Costa Pinheiro faz dos Reis de Portugal e com os quais obteve enorme êxito.

De 1967 e 1973, interrompeu a atividade artística, chegando mesmo a empregar-se como barman, e, ainda que nunca tenha deixado de pintar, afastou-se das galerias.

Costa Pinheiro expôs em diferentes instituições internacionais, entre as quais a Galeria Kunst + Kommunikation, em Munique, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e a Casa de Serralves, no Porto.

Recebeu, entre outros, o Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte, o Prémio da Fundação E. Reuter, na Alemanha, os prémios de gravura da Bienal de Cerveira e Intergrafik, de Berlim, e o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Lusa

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