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Roubadas mais duas réplicas da exposição nas ruas de Lisboa

Foram roubadas mais duas réplicas da exposição "ComingOut", instalada em ruas de Lisboa pelo Museu Nacional de Arte Antiga, desta vez da rua das Taipas, depois depois do desaparecimento da cópia de "Inferno", confirmou hoje à Lusa fonte da organização.

Inaugurada a 29 de setembro, a exposição colocou 31 réplicas de grandes obras da coleção do MNAA em várias ruas das zonas do Chiado, Bairro Alto e Príncipe Real. (Arquivo)

Inaugurada a 29 de setembro, a exposição colocou 31 réplicas de grandes obras da coleção do MNAA em várias ruas das zonas do Chiado, Bairro Alto e Príncipe Real. (Arquivo)

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Segundo o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), desapareceram os quadros "Ruínas de Roma Antiga", de Giovanni Paolo Pannini, e "Feira da Ladra na Praça da Alegria", de Nicolas Delerive.

As duas obras juntam-se a "Inferno", reprodução de uma pintura do século XVI, criada por um mestre português desconhecido, que se encontrava na rua da Rosa, ao Bairro Alto, e que tinha desaparecido 48 horas após a inauguração da mostra.

A exposição "ComingOut - e se o museu saísse à rua?" foi inaugurada no dia 29 de setembro por iniciativa do MNAA, com reproduções de alta qualidade - mas sem valor patrimonial - de 31 obras-primas do acervo do museu, afixadas no exterior de edifícios nas zonas do Chiado, Bairro Alto e Príncipe Real.

Quando a primeira obra desapareceu, contactado pela agência Lusa, o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel, disse não ter ficado surpreendido.

"Esta situação era previsível e também aconteceu em Londres, onde foi lançada uma iniciativa semelhante", apontou Filipe Pimentel, acrescentando que "não deixa de ser curioso e até cómico que tenha desaparecido o quadro do 'Inferno', nas primeiras 48 horas da inauguração da mostra".

Embora o museu tenha sublinhado, na altura, que a reprodução desaparecida não tem qualquer valor patrimonial, comercial ou material, alguém não conseguiu resistir à tentação de as retirar do local.

No lugar de "Inferno", o museu colocou, na rua da Rosa, uma outra reprodução, mais simples, do mesmo quadro, com a legenda irónica: "Retirada temporariamente para exposição privada".

O MNAA considera que o caráter interativo da exposição proporciona este tipo de situações, mas espera "que as pessoas vão acolher bem e estimar as obras expostas".

"ComingOut. E se o Museu saísse à rua?" segue o projeto desenvolvido em Londres, nos bairros de Convent Garden, Soho e Chinatown, pela National Gallery, denominado "The Grand Tour".

Sobre a segurança da exposição nas ruas, indicou que não foram desencadeadas medidas especiais, mas esclereceu que há lugares onde existem câmaras e que são sítios de passagem, como se verifica no Bairro Alto, nas principais artérias do Chiado, da calçada do Sacramento, às ruas Garret, do Alecrim, António Maria Cardoso e ao largo de São Carlos, assim como na calçada da Glória.

Houve ainda, nos dois primeiros dias do "ComingOut" do museu, uma tentativa de retirar a reprodução de "Salomé com a cabeça de São João Batista", pintado por Lucas Cranach, o Velho, em 1510-1515.

"Retrato do Rei D. Sebastião", pintado em 1571 por Cristóvão de Morais, "Senhora das Dores", de Quentin Metsys, de 1511, "Virgem com o menino e santos", de Hans Holbein, o Velho, de 1519, "Obras de misericórdia", de Pieter Brueghel, o Moço, dos primeiros anos do século XVII, ou "Santo Agostinho", de Piero della Francesca, de cerca de 1465, são algumas das reproduções que estão expostas nas ruas daquelas zonas de Lisboa antiga.

Com este projeto, o museu - que detém um dos mais importantes espólios de arte portuguesa -- tem por objetivo divulgar o património artístico e histórico do seu acervo ao público nacional e estrangeiro.

O projeto "ComingOut. E se o Museu saísse à rua?" foi preparado ao longo de vários meses e implicou o levantamento, por técnicos do MNAA e da Câmara Municipal de Lisboa (CML), dos imóveis das ruas, e um pedido de autorização aos proprietários para a afixação durante três meses.

De acordo com o MNAA, a exposição não teve custos para o museu, porque resultou de uma parceria, com a reprodução das obras da HP Portugal, apoio da Ocyan e edição de um catálogo patrocinado pela Vodafone.

Lusa

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