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Pintora Paula Rego doou gravura para apoiar estudantes sírios

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio revelou hoje, em Lisboa, que a pintora Paula Rego doou uma gravura para fazer um leilão de apoio aos estudantes sírios que vieram para Portugal.

TIAGO PETINGA

Jorge Sampaio falava na abertura da conferência internacional dedicada ao estudo do imaginário da pintora que começou hoje a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, e termina na sexta-feira.

"Paula Rego é uma artista de incrível generosidade e talento, e mais uma prova disso é ter enviado uma gravura", cuja venda reverterá a favor dos 33 estudantes que chegaram a Portugal em setembro, ao abrigo da Plataforma Global de Assistência a Estudantes Sírios, promovida pelo ex-Presidente.

O ex-presidente da República foi convidado a estar presente na conferência para falar sobre Paula Rego, uma artista por quem nutre uma amizade "há mais de 50 anos", e que lhe pintou, em 2006, o retrato oficial para colocar na galeria dos retratos dos presidentes no Palácio de Belém.

Na intervenção, Jorge Sampaio relatou esse período em que serviu de modelo para a pintura do retrato oficial, e descreveu Paula Rego como "uma criadora inesgotável, transbordante, e sempre disposta a partilhar ideias e apoiar causas sociais".

"É uma artista com um humor magnífico, de gargalhadas súbitas, grande inteligência e enorme candura. O seu olhar vê para além das aparências", declarou.

Também presente na sessão de abertura esteve a galerista que representa a pintora em Portugal, e amiga de longa data, Arlete Alves da Silva, da Galeria 111.

Paula Rego sempre foi uma artista de causas. Aborda muitas vezes de forma chocante temas fraturantes como a prostituição, o incesto, a violência doméstica. É uma pessoa de grande compaixão e coragem", salientou.

A pintora, que completou em janeiro último 80 anos, não podia estar presente, mas o filho, Nick Willing, revelou um excerto do documentário que está a realizar sobre a mãe, artista que continua a pintar diariamente no atelier, em Londres, onde reside.

Intitulada "Caught in the Act: the (Literary) Imagiconography of Paula Rego", a conferência internacional é organizada pelo Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies (CETAPS), unidade de Investigação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA).

No âmbito da conferência internacional será inaugurada a exposição de homenagem, "Caught in the Act", na Fundação D. Luís, em Cascais, com curadoria de Emília Ferreira.

Esta mostra apresenta trabalhos de artistas plásticos portugueses como Ana Rito, Catarina Patrício, Diogo Muñoz, Ema M. e Hugo Barata, complementando a conferência internacional através da reflexão destes artistas sobre o trabalho de Paula Rego e os diferentes modos como a artista os inspirou.

Paula Rego começou a desenhar ainda criança e partiu para a capital britânica com apenas 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art, onde havia de conhecer o futuro marido, o artista inglês Victor Willing, falecido em 1988, cuja obra Paula Rego já mostrou por várias vezes no museu Casa das Histórias, em Cascais, que detém um importante acervo de obras da autora.

Lusa

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