sicnot

Perfil

Cultura

Sintra assinala 20 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO

A classificação da Paisagem Cultural de Sintra pela UNESCO faz 20 anos no domingo, numa altura em que a vila regista um aumento do turismo e ainda procura solução para o trânsito no centro histórico.

ASSOCIATED PRESS

"A classificação de Sintra como Paisagem Cultural da Humanidade projetou-a nos roteiros culturais internacionais, granjeou-lhe prestígio, reconhecimento, que se traduziu também num aumento da procura turística", admitiu à Lusa Edite Estrela (PS), presidente da autarquia sintrense quando a vila foi classificada.

Parte do centro histórico e da serra de Sintra foi classificada, a 06 de dezembro de 1995, pelo comité do Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), reunido em Berlim, na categoria de Paisagem Cultural.

A ideia da candidatura, proposta em 1988 pelo historiador de Arte Vítor Serrão, então diretor da Biblioteca Municipal de Sintra, foi desenvolvida através de um longo e conturbado processo coordenado pelo arqueólogo José Cardim Ribeiro.

"Aquilo que se tem de entender por Paisagem Cultural de Sintra, e que corresponde à realidade aprovada pela UNESCO, inclui, em sentido lato, três diferentes zonas", salientou Cardim Ribeiro, numa comunicação sobre os 20 anos da classificação, defendendo que as áreas são "complementares e interdependentes".

Na zona "inscrita" concentram-se os parques da Pena e de Monserrate, com os respetivos palácios, o Castelo dos Mouros, o Convento dos Capuchos e o Palácio Nacional de Sintra (antigo Paço Real), enquanto a zona "tampão" se estende até ao litoral e a "de transição" se prolonga pela área do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Na sequência de missões técnicas a Sintra, um comité da UNESCO concluiu, em 2006, não existirem motivos para a inclusão na lista de património mundial em perigo, desde que fosse recuperada a zona "inscrita", alertando para a "ameaça" urbanística nas zonas "tampão" e "de transição".

"Quer as autoridades nacionais, quer as autoridades autárquicas têm a noção de que é um espaço privilegiado que urge preservar e valorizar. E, portanto, não penso que alguma vez este estatuto possa ser perdido, isso seria dramático", considerou Edite Estrela.

A criação da sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), para gerir os parques e os monumentos do Estado, em 2000, também contribuiu para salvaguardar "as condições e tudo aquilo que é exigível para uma área classificada", notou.

A deputada admitiu a necessidade de resolver a questão do trânsito e do estacionamento na vila, depois de ter sido abandonado, no seu mandato, o projeto da construção de um silo na Volta do Duche.

"Hoje em dia, e pela Europa, o que se vê em zonas similares é o recurso a parques subterrâneos e a zonas pedonais, ou seja, interditar o trânsito aos centros históricos e cada vez mais isso vai ser uma necessidade, até por razões ambientais", vincou.

A presidente da comissão nacional da UNESCO, Ana Martinho, sublinhou que a inscrição na lista do Património Mundial se traduz em benefícios de "maior visibilidade e promoção turística", o que, por seu lado, origina "novas pressões sobre os bens".

Para a embaixadora, "é natural que as pessoas" queiram visitar os sítios e monumentos classificados, "mas o eventual acréscimo de turistas não pode, de facto, colocar em causa os valores do bem, pelo que a sua gestão requer um cuidado acrescido e exigente".

Apesar da revisão das áreas "inscrita" e "tampão" ser "uma possibilidade em aberto", dependente de exigentes avaliações técnicas, o comité do Património Mundial atribui cada vez mais importância aos planos de gestão, apontou Ana Martinho.

O município e a PSML decidiram constituir, em setembro, o Gabinete do Património Mundial - Paisagem Cultural de Sintra, com o objetivo de promover o "debate de ideias sobre a gestão e a reabilitação do património".

A comissão nacional da UNESCO decidiu associar-se à iniciativa e instalar no gabinete um novo centro da organização internacional, vocacionado para o Património Mundial, através da divulgação dos valores do organismo das Nações Unidas.

"O centro UNESCO que está a ser criado poderá desempenhar um papel fundamental na preservação desta bela paisagem cultural que é um bem partilhado por todos nós e de que nos orgulhamos muito", explicou Ana Martinho.

Lusa

  • "Não se reconstroem serviços públicos em dois anos"
    0:53

    País

    O Ministro da Saúde diz que os problemas do Serviço Nacional de Saúde não se resolvem em dois anos nem se consegue reverter a trajetória de desinvestimento e delapidação dos serviços públicos até 2019, ou até ao final da legislatura. Em entrevista ao jornal Público e à rádio Renascença, Adalberto Campos Fernandes admitiu ainda que é contra a eutanásia, mas garante que o SNS estará pronto a aplicar a lei, se assim for decidido pelo Parlamento.

  • "Oui, Monsieur - O Saco Azul do Marquês" (Parte I)
    35:45

    Operação Marquês

    A acusação da Operação Marquês diz que, em 5 anos, foram pagos quase 36 milhões de euros de luvas a José Sócrates. A maior fatia veio do Grupo Espírito Santo. O Ministério Público fala em pagamentos por decisões políticas sobre negócios da PT, alegadamente em benefício de Ricardo Salgado. Além de Sócrates, também Zeinal Bava e Henrique Granadeiro terão recebido dezenas de milhões de euros do ex-banqueiro. Nesta primeira parte da reportagem "Oui, Monsieur - O Saco Azul do Marquês", começamos a seguir do rasto desse dinheiro, conduzidos pelas pistas deixadas à investigação, nos registos secretos de um director do Grupo Espírito Santo.

  • "Oui, Monsieur - O Saco Azul do Marquês" (Parte II)
    24:59

    Operação Marquês

    O Ministério Público estima que, em apenas 8 anos, a ES Enterprises movimentou mais de três mil milhões de euros. E sempre à margem de qualquer controlo. Na tese da Operação Marquês, foi desta empresa fantasma que saiu a maior parte das luvas alegadamente pagas por Ricardo Salgado a José Sócrates, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e Hélder Bataglia, por causa dos negócio da PT. Na primeira parte da grande reportagem "Oui, Monsieur - o saco azul do marquês" vimos como o chumbo da OPA da SONAE à PT terá sido o primeiro desses negócios.Agora, olhamos para outros pagamentos milionários e procuramos perceber o que está atrás desse alegado saco azul. A investigação concluiu que era financiado através de operações financeiras complexas, por vezes com dinheiro dos clientes do BES.