sicnot

Perfil

Cultura

CM Porto tenta vender amanhã em leilão Casa Manoel de Oliveira pela 2ª vez

A Câmara do Porto realiza na segunda-feira um leilão para tentar vender, pela segunda vez e por pelo menos 1,58 milhões de euros, o edifício idealizado há quase duas décadas para acolher o espólio do cineasta Manoel de Oliveira.

Manoel de Oliveira. (Arquivo)

Manoel de Oliveira. (Arquivo)

© Handout . / Reuters

A primeira tentativa do atual executivo do autarca independente Rui Moreira para alienar o imóvel da Foz, que nunca teve uso, foi feita em maio de 2014, pouco tempo após o anúncio da instalação do acervo de Oliveira em Serralves, mas a hasta pública do município ficou deserta.

Nesta nova iniciativa, que se realiza pelas 10:30 nos Paços do Concelho, a autarquia resolveu determinar um valor-base de licitação de 1,58 milhões de euros para o conjunto das duas frações do imóvel (habitação e equipamento cultural), em vez de diferenciar um montante para cada uma, como tinha acontecido antes.

A avaliação global dos dois edifícios sempre foi de 1,58 milhões de euros mas o município começou por fixar em 1,014 milhões de euros o preço do "equipamento cultural" e em 568,8 mil euros o valor da fração "habitacional".

Agora, o anúncio publicado pela Câmara do Porto na sua página da internet aponta os 1,58 milhões de euros como "valor base de licitação para as duas frações".

Segundo a autarquia, o que está à venda é um "edificado destinado a equipamento cultural" com 160 metros quadrados de área coberta distribuídos por uma cave, rés-do-chão e primeiro piso, e 1.800 metros quadrados de "área descoberta".

A isto soma-se uma segunda fração, também com entrada pelas ruas Viana de Lima e de Bartolomeu Velho, composta por "cave, entrepiso, rés-do-chão e dois pisos", com 98 metros quadrados de área coberta e 152 metros quadrados de área descoberta.

Depois de a hasta pública de 2014 não ter suscitado o interesse de qualquer investidor, a autarquia manteve o imóvel à venda por ajuste direto durante um ano sem que o negócio se concretizasse.

O procedimento, previsto por lei, admite que eventuais interessados apresentem diretamente à Câmara propostas de compra cujo montante pode ser até 5% inferior ao valor base de licitação da hasta pública.

Foi em abril de 2014 que o presidente da Câmara eleito em setembro de 2013, Rui Moreira, anunciou a venda do equipamento por não fazer sentido "manter uma casa que nunca foi utilizada".

Menos de um ano antes, em novembro de 2013, a Fundação de Serralves tinha assinado um protocolo com a família de Manoel de Oliveira para instalar o espólio do cineasta no extremo nordeste do Parque de Serralves.

Manoel de Oliveira manifestou vontade de doar o seu acervo no início dos anos 90 do século XX, e a Câmara do Porto, então presidida pelo socialista Fernando Gomes, propôs-se construir um edifício de raiz, desenhado por um conceituado arquiteto.

O projeto de Eduardo Souto Moura para a denominada Casa Manoel de Oliveira foi lançado em 1998, sem que tivesse sido formalizado um acordo com o realizador para o uso da casa.

Tal acabaria por condicionar o futuro do imóvel que ficou concluído em 2003 mas nunca teve o uso para que foi pensado: ser residência e museu do realizador que morreu em abril, aos 106 anos.

Em 2007, o advogado do cineasta responsabilizou a Câmara, liderada pelo social-democrata Rui Rio, pelo fracasso da criação da casa-museu.

Cerca de quatro anos depois, o filho do realizador, José Manuel Oliveira, informou que se tinha gorado, por falta de acordo, a hipótese de transferência do acervo para o edifício, notando que a conduta da autarquia tinha levado o cineasta a não aceitar a "Chave da Cidade".

Lusa

  • O dia que roubou dezenas de vidas em Pedrógrão Grande
    3:47
  • Morreu Miguel Beleza

    País

    Miguel Beleza, economista e antigo ministro das Finanças, morreu esta quinta-feira de paragem cardio-respiratória aos 67 anos.

  • "Estamos a ficar sem espaço. Está na hora de explorar outros sistemas solares"

    Mundo

    O físico e cientista britânico Stephen Hawking revelou alguns dos seus desejos para um novo plano de expansão espacial. Hawking está em Trondheim, na Noruega, para participar no Starmus Festival que promove a cultura científica. E foi lá que o físico admitiu que a população mundial está a ficar sem espaço na Terra e que "os únicos lugares disponíveis para irmos estão noutros planetas, noutros universos".

    SIC

  • Não posso usar calções... visto saias

    Mundo

    Perante a proibição de usar calções no emprego, um grupo de motoristas franceses adotou uma nova moda para combater o calor. Os trabalhadores decidiram trocar as calças por saias, visto que a peça de roupa é permitida no uniforme da empresa para a qual trabalham.

  • De refugiada a modelo: a história de Mari Malek

    Mundo

    Mari Malek chegou aos Estados Unidos da América quando era ainda uma criança. Chegada do Sudão do Sul, a menina era uma refugiada à procura de um futuro melhor, num país que não era o seu. Agora, anos depois, Mari Malek é modelo, DJ e atriz, e vive em Nova Iorque. Fundou uma organização sediada no país onde nasceu voltada para as crianças que passam por dificuldade, como também ela passou.