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Casa Manoel de Oliveira comprada por empresa gerida por representante de Isabel dos Santos

A Supreme Treasure, que comprou a casa do cineasta Manoel de Oliveira por 1,58 milhões de euros, é gerida por Mário Leite da Silva, representante da empresária angolana Isabel dos Santos, segundo informação hoje consultada pela Lusa.

O edifício idealizado há duas décadas para acolher o espólio do realizador português foi hoje vendido pela autarquia do Porto numa segunda hasta pública, depois da primeira, em 2014, não ter recebido propostas.

O imóvel da Foz foi adjudicado provisoriamente à Supreme Treasure, Lda, que na altura, o seu representante - o advogado Diogo Duarte Campos - se escusou a adiantar pormenores sobre o negócio, alegando "dever de sigilo profissional".

De acordo com informação consultada pela Lusa, a Supreme Treasure, Lda é uma sociedade por quotas, foi criada em setembro do ano passado e conta com Mário Leite da Silva, braço direito dos negócios de Isabel dos Santos, como gerente.

A empresa tem como principal acionista Miguel Joaquim Cardielos dos Reis.

Para o presidente da autarquia do Porto, Rui Moreira, a venda da casa é "mais do que um alívio" porque "existia uma preocupação grande" por esta estar "ao abandono", pelo que "além do interesse monetário" da venda, também é resolvido "um problema de reabilitação".

"É uma casa da autoria de Souto Moura portanto tem desde logo um impacto relevante na cidade do ponto de vista arquitetónico e era um ativo que estava perdido porque o uso para que foi concebido nunca foi concretizado e não foi com certeza por culpa da câmara municipal", disse o autarca.

Rui Moreira também disse desconhecer o futuro do imóvel, mas essa situação não preocupa o autarca, uma vez que, por ser uma casa "de autor", qualquer finalidade dessa mesma casa tem de ter a aprovação do arquiteto responsável.

Questionado sobre se tem alguma preferência para o espaço, o presidente da câmara do Porto admitiu que gostaria que lhe fosse dada "componente cultural", sendo "o mais importante é que seja utilizado".

A Casa Manoel de Oliveira foi lançada em 1998, sem que tivesse sido formalizado um acordo com o realizador para o uso da casa, o que acabaria por condicionar o futuro do imóvel que ficou concluído em 2003 mas nunca teve o uso para que foi pensado.

Em 2007, o advogado do cineasta responsabilizou a Câmara, liderada pelo social-democrata Rui Rio, pelo fracasso da criação da casa-museu.

Cerca de quatro anos depois, o filho do realizador, José Manuel Oliveira, informou que se tinha gorado, por falta de acordo, a hipótese de transferência do acervo para o edifício, notando que a conduta da autarquia tinha levado o cineasta a não aceitar a "Chave da Cidade".

Lusa

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