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Museu da Língua Portuguesa estará reconstruído dentro de dois anos

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, parcialmente destruído por um incêndio em dezembro passado, estará reconstruído dentro de dois anos, anunciou hoje o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, que adiantou que o espólio será atualizado.

"Imaginamos que em dois anos consigamos reabrir o museu", disse hoje o secretário-geral da Fundação responsável pelo Museu da Língua Portuguesa, Hugo Barreto, em Lisboa, numa audiência conjunta pelas comissões parlamentares de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

O responsável adiantou que a Estação da Luz - em cujo edifício se localiza o museu -, utilizada diariamente por quase 500 mil pessoas, reabriu uma semana após o incêndio, que ocorreu no dia 21 de dezembro passado e que destruiu parte da instituição.

Barreto garantiu que o acervo do museu, que em março cumpriria dez anos, está intacto, por ser audiovisual, existindo cópias, mas referiu que o espólio será melhorado.

"Já havia uma discussão [entre o governo do Estado de São Paulo e a Fundação] sobre a atualização e incorporação de mais conteúdos. Se há uma oportunidade que o que aconteceu cria é a de melhorar ainda mais o museu nessa nova fase", disse o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho à Lusa.

Hugo Barreto adiantou que nos próximos 45 dias os técnicos deverão ter concluídas as perícias, mas, por agora, "tudo indica que a estrutura do museu não está comprometida", mas as instalações, incluindo o telhado, terão de ser reconstruídos. A reconstrução, acrescentou, será suportada "em boa parte pelo seguro".

O fogo terá tido origem na sala de exposições temporárias quando um curto-circuito incendiou a exposição que ali se encontrava e que continha "mais de dois mil livros e muitos tecidos", que rapidamente se transformaram numa "enorme fogueira" que se propagou aos andares superiores, explicou à Lusa.

O secretário-geral da Fundação referiu aos deputados que já foram iniciados contactos com o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, autor do projeto original, e lembrou que "existe um projeto de património histórico que tem de ser reconstruído na sua plenitude, sem alterações, para que se preservem as características daquele edifício, que foi construído pelos ingleses no final do século XIX e inaugurado em 1900".

Hugo Barreto lamentou o "acontecimento trágico" que atingiu "uma iniciativa única no Mundo da comunidade lusófona, em particular do Brasil e Portugal", recordando que o Museu da Língua Portuguesa recebeu cinco milhões de visitantes e é um dos cinco museus mais visitados do Brasil.

"Aquele que visita o Museu, na verdade, visita a sua própria alma. Essa é a razão do sucesso. Em todos os lugares do Mundo, foi premiado e reconhecido como uma inovação", afirmou.

Na audiência, o secretário-geral da Fundação agradeceu aos deputados a manifestação de pesar e a disponibilidade expressa pelo parlamento português para ajudar à reconstrução do museu, considerando que "o apoio institucional e político e a concertação com outras instituições" serão "muito oportunos para que o museu volte a ser esse grande elo de conexão da lusofonia".

O deputado do PSD José Cesário manifestou a sua "tristeza profunda" e defendeu que este "é um momento para cooperarmos", recordando que o seu partido apresentou um projeto de resolução para desenvolver um programa de intervenção cultural no Brasil para promover a divulgação do português no Mundo.

Pelo PS, Paulo Pisco afirmou que a língua portuguesa "é de todos" e que a "celebração da língua é também a celebração das identidades e das culturas que enriquecem este universo da lusofonia".

Jorge Campos, do Bloco de Esquerda, disse que uma visita ao museu era "uma experiência absolutamente fascinante", enquanto o comunista Miguel Tiago fez votos para que "a cooperação institucional possa vir a contribuir para que sejam ultrapassadas as adversidades".

A deputada do CDS-PP Assunção Cristas deplorou "o evento trágico" e reiterou o compromisso "para preservar e projetar a nossa língua comum".

Lusa

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