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Academia dos Óscares quer tornar discursos de vitória mais interessantes

A Academia dos Óscares anunciou na segunda-feira uma mudança na cerimónia de entrega dos prémios com o objetivo de tornar mais interessantes os discursos dos vencedores, frequentemente limitados à nomeação apressada de nomes a quem querem agradecer.

© Reuters Photographer / Reuter

Os premiados vão continuar a ter 45 segundos para falar mas poderão optar por exibir num ecrã os nomes daqueles a quem querem agradecer.

A lista de nomes passará nos ecrãs quando ganharem o Óscar, permitindo-lhes usar o tempo para expressar ideias e pensamentos que vão além do mero agradecimento a colegas, amigos ou familiares.

A novidade foi anunciada ela Academia de Hollywood que atribui os Óscares (os prémios do cinema norte-americano) na segunda-feira, durante um encontro que reuniu a maioria dos nomeados de 2016.

As nomeações deste ano geraram polémica por não voltar a haver atores e realizadores negros na lista de possíveis premiados.

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, fez uma breve alusão à polémica no encontro de segunda-feira, falando num "elefante na sala".

"Este ano, todos sabemos que há um elefante na sala. Mas pedi ao elefante para sair", afirmou, sob aplausos, acrescentando: "Hoje [o encontro] é sobre o vosso incrível trabalho no ecrã e por trás das câmaras".

No entanto, alguns presentes abordaram o assunto, entre eles, o ator Sylvester Stallone, que disse ter ponderado boicotar a cerimónia de entrega dos prémios, a 28 de fevereiro.

Stallone, de 69 anos, está nomeado para o Óscar de melhor ator secundário por "Creed", do realizador negro Ryan Coogler e que tem no principal papel Michael B. Jordan, um ator que também é negro.

Sylvester Stallone contou que abordou o assunto com Ryan Coogler, acrescentando que acredita que a sua nomeação se deve ao realizador e que considera que Michael B. Jordan o ajudou a melhorar o seu trabalho.

"Coogler disse-me: 'vai lá, tenta representar o filme, e nós pensamos que tu mereces. Eventualmente, as coisas mudarão'", afirmou Stallone.

A 22 de janeiro, a Academia dos Óscares anunciou que vai tomar uma série de medidas "históricas" para se abrir mais às mulheres e minorias étnicas, para acalmar a polémica sobre a falta de diversidade tanto dos membros como das escolhas cinematográficas.

Depois de uma "votação unânime (...), a Academia vai tomar medidas históricas para aumentar a visibilidade", designadamente "visando uma duplicação até 2020 dos seus membros femininos ou provenientes" das minorias étnicas, segundo um comunicado distribuído naquele dia.

"A Academia vai liderar o movimento e não esperar que o setor supere o atraso" em termos de diversidade, declarou Cheryl Boone Isaacs, ela própria negra,que tinha declarado dias antes que tinha "o coração partido e frustração" pela lentidão das mudanças na instituição.

Entretanto, várias personalidades do cinema decidiram já boicotar a cerimónia de entrega dos prémios deste ano, como o realizador Spike Lee, que recebeu este ano um Óscar de honra pela sua carreira, e os atores Will Smith e a esposa, Jada Pinkett-Smith.

Lusa

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