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Cinemateca Portuguesa encontra filme espanhol dos anos 30 que estava perdido

Um excerto do filme "Sor Angélica", uma produção espanhola de 1934 de Francisco Gargallo, há muito dado como perdido, foi descoberto nos arquivos da Cinemateca Portuguesa, decorrendo agora o trabalho de salvaguarda e preservação.

© Stefan Wermuth / Reuters

Em comunicado, a Cinemateca explica que descobriu nos seus arquivos um excerto de 34 minutos do filme "Sor Angélica", em suporte de nitrato, que a Filmoteca Espanhola tinha dado como desaparecido.

O filme tinha sido depositado pelo Exército nos arquivos da Cinemateca e constava da lista de materiais por identificar. "Finalmente identificado o título e descoberta a sua relevância histórica, visto tratar-se das únicas imagens conhecidas em todo o mundo desta produção cinematográfica, decorre neste momento o trabalho de salvaguarda e preservação desta obra", sustenta o organismo.

Esse trabalho de preservação, em parceria com a Filmoteca de Espanha, decorre no laboratório do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), o departamento de arquivo fílmico da Cinemateca.

"Sor Angélica", que se estreou em Lisboa em 1942, foi considerado, à época, uma produção importante do cinema espanhol, por ter feito parte de série clerical idealizada por católicos espanhóis durante os anos 1930.

O trabalho de conservação e restauro de património fílmico faz parte da missão da Cinemateca Portuguesa, mas possivelmente é o que tem menos visibilidade para o público.

Nos espaços do ANIM funciona desde 1998 um laboratório que tem permitido o restauro de películas em suportes atualmente mais precários, como o nitrato de celulose.

A atual direção da Cinemateca já tinha anunciado que uma das estratégias era, precisamente, tirar maior proveito daquele laboratório, sobretudo a nível internacional, porque é uma das poucas infraestruturas europeias a trabalharem no restauro analógico, quando a tendência é apostar no digital.

Atualmente a Cinemateca já faz trabalho de restauro encomendado de países como França e Suíça e colabora com o laboratório norte-americano CINERIC para fornecer serviços de restauro nos mercados internacionais.

Em fevereiro passado quando esteve em Berlim, a propósito do festival de cinema Berlinale, o ministro da Cultura, João Soares, saiu em defesa desse trabalho de valorização do património fílmico.

"A proposta que fiz e que foi recebida com algum entusiasmo, nomeadamente pelo responsável do FFA [Filmförderungsanstalt], o equivalente alemão ao ICA [Instituto do Cinema e Audiovisual], é a preservação da herança cinematográfica da Europa e a possibilidade de avançarmos para uma batalha, no quadro das instituições europeias, para a criação de um fundo que permita a valorização dessa herança cultural", disse na altura em entrevista à Lusa.

Nos espaços do ANIM, no concelho de Loures, estão depositadas milhares de bobines e quilómetros de película do cinema português e também estrangeiro, desde finais do século XIX até à atualidade.

Segundo a Cinemateca Portuguesa foram já restaurados e preservados mais de 1.100 quilómetros de materiais fílmicos.

Lusa

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