sicnot

Perfil

Cultura

Teatro Nacional D. Maria II celebra 170 anos com dança, teatro e livros

Dança, apresentação da revista Cais, inauguração da exposição "Teatro em cartaz", e a estreia de "O impromptu de Versalhes", de Molière, celebram, na quarta-feira, os 170 anos do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa.

1846 - É inaugurado o Teatro Nacional de D. Maria II, em Lisboa, criado por Almeida Garrett (foto TNDM II/Abílio Leitão)

1846 - É inaugurado o Teatro Nacional de D. Maria II, em Lisboa, criado por Almeida Garrett (foto TNDM II/Abílio Leitão)

"Uma ideia, um edifício, uma comunidade. Foi há 170 anos que o D. Maria II nasceu. Neste aniversário, recordamos o papel singular do Teatro Nacional na vida cultural do nosso país e, acima de tudo, fazemos curto-circuito entre o passado e o presente, porque só um teatro pode viver 170 anos sem envelhecer", afirma em comunicado o Teatro Nacional D. Maria II.

As celebrações iniciam-se ao final da tarde, no salão nobre, com a apresentação do livro da comédia "O Impromptu de Versalhes", de Molière, numa tradução João Paulo Esteves da Silva, edição TNDM II/Bicho do Mato, e ainda de um número da revista Cais, dedicado ao D. Maria II, com direção editorial de Eunice Muñoz.

Ainda neste âmbito, é apresentado o catálogo da exposição "Teatro em cartaz - A coleção do D. Maria II, 1853 - 2016", que é inaugurada pelas 18:00, com curadoria de Lizá Ramalho e Artur Rebelo. Os autores do catálogo, uma edição TNDM, são os curadpres e ainda Helena Barbosa.

Antes da inauguração da exposição são anunciados os teatros selecionados para integrar a Rede EUNICE, um projeto de circulação de espetáculos do D. Maria II, que são o Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, no distrito de Santarém, o Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, e o Municipal de Vila Real, em Trás-os-Montes.

A exposição reúne cartazes desde 1853 até 2016, isto é, 163 dos 170 anos de comédias, dramas, revistas, monólogos levados à cena no teatro idealizado por Almeida Garrett, no ímpeto reformista liberal de Passos Manuel.

O documento mais antigo da exposição é dos espetáculos "A assignatura d'el rei", "A Casa Mysteriosa" e "Um Homem de mau génio", de 08 de janeiro de 1853.

Às 21:00, estreia-se a comédia em prosa e em um ato "O impromptu de Versalhes", de Molière, com encenação de Miguel Loureiro, com entrada gratuita, devendo os ingressos ser levantados a partir das 17:00, na bilheteira do TNDM.

A peça, que é a resposta a um desafio de Luís XIV a Molière para escrever e encenar uma peça em oito dias, tem dramaturgia de Miguel Loureiro, Rodrigo Abecasis Fernandes e Vera Kalantrupmann, e o elenco é constituído por Álvaro Correia, Carla Bolito, Inês Nogueira, João Estima, Lúcia Maria, Maria Amélia Matta, Maria Duarte, Miguel Loureiro, Vera Kalantrupmann, Ana Tang, Sandra Pereira, Victor Yovani e da violinista Maria do Mar.

A peça, em que o próprio Molière, encarnando-se a si próprio como personagem, fez parte do elenco, estreou-se no Palácio Real de Versallhes a 14 de outubro de 1663, e foi à cena no mês seguinte, no Thêatre du Palais-Royal, em Paris.

Segundo o TNDM, é "um espetáculo que é um ensaio para o grande espetáculo". "Ansiedade e expectativa. Debate e incerteza. Virá ele a acontecer? Uma autêntica celebração do ato teatral. Uma ficção sem postulados ficcionais".

Após a peça, "a partir das 23:00", haverá "'Dancetaria Nacional: uma festa no átrio do Teatro", com o DJ Nuno Lopes.

"Com o renovado Café Garrett a funcionar em pleno, transforma-se numa pista de dança onde até o busto de Garrett vai ganhar vida", remata o comunicado do TNDM.

O dramaturgo Almeida Garrett, autor de peças como "A sobrinha do marquês" e "Frei Luiz de Souza" está ausente da atual temporada.

Quando da apresentação da programação, questionado pela Lusa, sobre a razão pela qual não é levada à cena uma peça do fundador, o diretor artístico do TNDM, Tiago Rodrigues, afirmou: "Apresentar uma obra de Garrett - e existem obras que podiam ser apresentadas - mas apresentá-lo, porque se trata de uma efeméride, podia roçar o provincianismo...".

"A nossa temporada é, de alguma forma, fruto de um diálogo com os artistas, com os quais vamos trabalhar, e não houve nenhuma proposta de encenar ou montar uma peça de Almeida Garrett", disse Tiago Rodrigues à Lusa, reconhecendo que "o TNDM podia fazê-lo", mas a aposta, esta temporada, é "no sentido da escrita e reescrita em português com dramaturgos portugueses, e as propostas que surgiram foram muito noutro sentido".

O Teatro foi inaugurado no dia do 27.º aniversário da rainha D. Maria II, a 13 de abril de 1846, com a peça "Álvaro Gonçalves, o magriço, ou os doze de Inglaterra", um drama histórico em cinco atos, de Jacinto Heliodoro de Loureiro.

Garrett, que também fundou o Conservatório Nacional, pretendia criar um repertório nacional, segundo a corrente intelectual da época, do regime liberal, que pretendia que o público fosse mais instruído, crítico e seletivo.

No dia 2 de dezembro de 1964, o edifício sofreu um incêndio, quando estava em cartaz "Macbeth", de Shakespeare, pela Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Foi restaurado e reinaugurado catorze anos depois.

Lusa

  • Leão de Ouro de Souto de Moura faz "muito bem à alma" dos portugueses
    1:53
  • "Sonho com um futuro melhor", o desejo de um jovem sírio em Portugal
    2:12

    País

    Mais de 50 jovens sírios chegaram esta madrugada a Lisboa, para iniciarem o novo ano letivo, em Portugal. Sonham com um futuro melhor. Sonham com uma educação melhor. Os 54 estudantes vieram ao abrigo do programa lançado pelo antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, que nos últimos anos já deu uma nova oportunidade a cerca de 200 alunos.

  • Na linha do triunfo
    16:49
  • Chamas do incêndio no Europa Park na Alemanha atingiram os 15 metros de altura
    0:57