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Carlos do Carmo, Anoushka Shankar e "Ópera na Prisão" nos 60 anos da Gulbenkian

A cantora Anoushka Shankar, o fadista Carlos do Carmo, e uma ópera interpretada por jovens reclusos integram a programação das comemorações dos 60 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir de 23 de junho, foi anunciado esta quarta-feira.

Intitulado "Jardim de Verão" o programa completo foi hoje apresentado aos jornalistas, na sede da fundação, numa sessão com a presença dos responsáveis pelos vários departamentos da Gulbenkian, desde as artes, a educação e a ação social, e da administração, Teresa Gouveia e Guilherme d´Oliveira Martins.

Ivan Lins, o grupo feminino maliano Les Amazones d´Afrique, Tigran Hamasyan estão também neste programa comemorativo que inclui, além dos concertos, cinema, exposições, sessões de leitura, workshops e outros eventos.

Na apresentação, Teresa Gouveia sublinhou que esta programação "tem um modelo novo, que resulta da participação de um grande número de departamentos" da entidade, que se apresenta "ao mesmo tempo na sua pluralidade e unidade".

Por seu turno, Rui Vieira Nery, diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas, explicou que a lógica desta programação mostra que a entidade "está atenta à criação contemporânea e ao património, no seu cruzamento, e na perspetiva da multiculturalidade".

O "Jardim de Verão" começa a atuação, no anfiteatro ao ar livre, do coletivo feminino formado por mulheres do Mali Les Amazones d´Afrique, cujo discurso nas atuações reflete o combate à violência sobre as mulheres.

Na música, estão previstos concertos de cantora Anoushka Shankar, da Orquestra Gulbenkian com Carlos do Carmo e o convidado Ivan Lins, e ainda dos Músicos do Tejo, do coro britânico Sacred Sounds, um grupo feminino que representa diferentes religiões, idades, línguas e culturas.

Considerado pela Gulbenkian um dos pontos altos da programação, o espetáculo "Ópera na Prisão" levará ao palco do Grande Auditório 30 jovens reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria para interpretarem "D. Giovanni", de Mozart, juntamente com a Orquestra da fundação.

Trata-se do resultado de um dos projetos do Partis - Práticas Artísticas para a Inclusão Social, uma iniciativa do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano, que procura criar pontes entre comunidades que habitualmente não se cruzam, através de práticas artísticas.

No cinema está prevista a exibição da trilogia de Miguel Gomes, "As mil e uma Noites", com os seus três volumes, no anfiteatro ao ar livre entre 27 e 29 de junho, e ainda sessões "Filmes da Coleção Moderna", com uma seleção de filmes de artistas como Vasco Araújo, João Onofre, Pedro Barateiro, Lida Abdul e Jan Fabre.

Será também exibido, a 30 de junho, o documentário "Amadeo de Souza Cardoso. Le Dernier secret de l´art moderne" (2016), do realizador Christophe Fonseca, estreado este ano no contexto da exposição do artista que está patente em Paris, no Grand Palais, até 18 de julho.

Nas exposições, será inaugurada "Linhas do Tempo. As Coleções Gulbenkian. Caminhos Contemporâneos", a 23 de junho, ficando patente até 02 de janeiro de 2017 com uma seleção de obras que irá mostrar as relações entre a coleção do fundador e a coleção moderna.

Está prevista a apresentação de obras da coleção permanente com o trabalho de artistas contemporâneos, bem como algumas obras de Fernanda Fragateiro para locais específicos do Jardim Gulbenkian, onde decorrerão grande parte dos eventos.

No final da conferência de imprensa, questionada pela agência Lusa sobre se esta programação criada em conjunto pelos vários departamentos da entidade significa que esta filosofia será reforçada no futuro, Teresa Gouveia respondeu: "Essa é a forma mais rica e estimulante de trabalhar".

"Quero que toda a atividade da Fundação, independentemente da sua origem, traduza o trabalho conjunto comum, de uma forma integrada", acrescentou.

Lusa

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