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"Caminho das Estrelas", a aventura continua 50 anos depois

Tudo começou com uma missão de cinco anos "onde nenhum homem foi", e meio século depois, a série "Caminho das Estrelas" ("Star Trek") continua um verdadeiro fenómeno cultural, seguida por milhões de fãs em todo o mundo.

Quando a série de televisão foi lançada em 1966, era suposto não durar mais de três temporadas, durante as quais os telespectadores poderiam seguir as aventuras da "Enterprise", uma nave espacial em exploração da galáxia à procura de novas civilizações.

Na altura do lançamento, a NBC estava longe de imaginar que a série se tornaria uma referência mundial dos programas de entretenimento, alimentada por nada menos do que 725 episódios e 13 longas-metragens.

"Falar no 50.º aniversário é completamente louco. Eu nasci no mesmo ano que o 'Caminho das Estrelas'", disse na semana passada numa conferência de imprensa em Hollywood, de acordo com a agência France Press, o produtor J.J. Abrams, que adaptou a última trilogia da série, cujo terceiro e último episódio, "Sem limite", sai agora nos Estados Unidos e na Europa.

Gene Roddenberry, um cenarista, escreveu o episódio piloto em 1965, no mesmo ano em que um norte-americano foi lançado para o espaço, mas o que imaginou foi muito além da ficção científica.
Para os seus fãs, Roddenberrry faz na altura uma análise dos problemas sociais terrenos com uma sensibilidade sem paralelo e torna "Star Trek" no primeiro programa de televisão verdadeiramente multirracial.

É ali, por exemplo, que a audiência mundial vê pela primeira vez um beijo entre dois atores de cores diferentes.

O ator John Cho, que desempenha o papel do tenente Sulu na última trilogia descreve o multiculturalismo como um dos traços distintivos da série. "Queria participar no que considero como uma contribuição cultural positiva e importante", afirma à AFP.

O entusiasmo dos fãs pela visão de Roddenberry elevou a série ao lugar de culto e hoje, os "trekkies" são mesmo o único grupo de fãs cujo nome foi introduzido no Oxford English Dictionary, um dicionário de referência da língua inglesa.

O ator Karl Urban, que desempenha o papel do Dr. Leonard McCoy na última trilogia, explica que "Sem limite" foi mais difícil de fazer, mas ao mesmo tempo mais divertido do que os episódios anteriores.

"Queríamos ter a certeza de que conseguíamos o equilíbrio entre o respeito pelo que tinha sido feito antes -- com as piadas e referências aos primeiros episódios destinadas aos fãs mais antigos -- e uma versão atual, com elementos novos que os novos espectadores possam apreciar", diz à AFP.

"Adorava a série quando era miúdo", acrescenta o ator. "Havia miúdas giras de minissaia. Era sexy e tinha piada (...) O capitão Kirk tinha aquele ar superior, aquela maneira de se pavonear, aparecia sempre com aliados de muitas raças diferentes".

Para Urban, o sucesso do "Caminho das Estrelas" assenta na representação de uma humanidade unida no futuro, apesar das raças e credos diferentes. "Isso e o facto de sair com umas miúdas verdes muito giras", acrescenta.

O fenómeno "Star Trek" deverá, entretanto, prosseguir, com uma nova série de televisão que deve começar em janeiro de 2017 na cadeia CBS.

"Dura há 50 anos, esperamos que continue mais 50", diz o entusiasmado realizador de "Sem limite", Justin Lin. "O que é fantástico no facto de participar nesta aventura, com estas personagens e estes temas, é que podemos ir não importa onde, podemos fazê-las viver novos desafios, sem nenhum limite".

Lusa

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