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Mouraria expõe objetos do quotidiano encontrados após o terramoto de 1755

O Centro de Inovação da Mouraria, em Lisboa, vai receber uma exposição de "objetos do quotidiano" antigos, descobertos após as obras de reconversão do Quarteirão dos Lagares, na mesma zona da cidade.

1763 - É ordenada a demolição de todas as barracas destinadas a habitação e serviços, construídas em Lisboa depois do Terramoto de 1755.

1763 - É ordenada a demolição de todas as barracas destinadas a habitação e serviços, construídas em Lisboa depois do Terramoto de 1755.

A exposição "Quarteirão dos Lagares: da Mouraria à Vila Nova" fará também o "enquadramento histórico e urbanístico do espaço, com especial enfoque na génese e desenvolvimento deste carismático bairro lisboeta", refere a Câmara Municipal de Lisboa em comunicado hoje divulgado.

Organizada pelo Centro de Arquitetura de Lisboa (CAL), estará disponível para visita de segunda a sexta-feira, entre as 10:00 e as 17:00, até dia 01 de outubro.

"Entre ruínas e aterros que se sobrepõem, as escavações arqueológicas permitiram recuperar objetos do quotidiano que testemunham vivências sociais e económicas de outros tempos, contribuindo para a 'reconstrução' da história deste local e do bairro da Mouraria e dos seus habitantes desde a Idade Média até ao presente", considera a organização.

Na brochura que acompanha a exposição lê-se que "nas escavações arqueológicas do Quarteirão dos Lagares identificaram-se vestígios de atividade oleira do século XV e da primeira metade do século XVI, sobretudo um forno de cozer barro, preservado sob o pavimento do edifício atual".

O documento acrescenta que nos aterros que cobriam o quarteirão "recuperaram-se trempes, usadas para apoiar as peças no forno, resíduos de vidrado, carvões, bem como uma série de objetos defeituosos, rejeitados pela mão experiente do oleiro", e as "escavações arqueológicas, ainda que parciais, levaram à descoberta de duas fontes, calçadas, um tanque, canalizações e canteiros".

Os objetos foram descobertos aquando das obras para a criação do Centro de Inovação da Mouraria (CIM), tendo sido levadas a cabo quatro campanhas arqueológicas entre 1999 e 2013.

"O Quarteirão dos Lagares é um bom exemplo da dinâmica urbanística de uma cidade em plena renovação", refere o departamento de cultura do município, acrescentando que "todo este conjunto foi aterrado após o terramoto de 1755".

Depois do terramoto, esta zona "adquiriu uma função habitacional, além da vocação agrícola proporcionada pela proximidade do vale de Arroios, servindo como lagar de azeite ou de vinho", explica.

"Esta exposição resulta da colaboração entre o CAL e o CIM, a que se juntaram a Direção-Geral do Património Cultural, o Centro de História d'Aquém e d'Além Mar (CHAM)/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e a empresa ERA, Arqueologia", remata a nota.

Lusa

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