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Novas tecnologias permitem ler papiros deteriorados ou carbonizados

O uso de novas tecnologias aplicadas ao estudo dos antigos papiros vai permitir ler, pela primeira vez, rolos de papiro muito deteriorados e até carbonizados, como alguns da antiga cidade romana de Herculano.

O 28º Congresso Internacional de Papirologia, que se realiza esta semana na Universidade Pompeu Fabra (UPF) de Barcelona, tem como tema central o estudo de papiros antigos.

No congresso vai ser analisado como é que a investigação da informação contida nos antigos papiros beneficia cada vez mais dos últimos progressos da ciência e da tecnologia.

Vai ser possível ler pela primeira vez rolos de papiro carbonizados da cidade romana de Herculano - soterrada pelas cinzas do vulcão Vesúvio - graças ao acelerador de partículas, e vai utilizar-se a fotografia multiespectral para ler papiros que estejam deteriorados.

Este cruzamento da papirologia com as ciências também vai ajudar no estudo da composição química e atómica dos corantes e das fibras dos suportes, algo que "permitirá conhecer a idade e a procedência dos papiros", explicou o professor da UPF e coorganizador do evento, Alberto Nodar.

Nesta edição do congresso, que conta com o apoio da Associação Internacional de Papirologia, participam cerca de 400 investigadores de todo o mundo que vão falar sobre a transcrição, tradução e interpretação dos papiros, assim como a sua restauração e preservação.

A papirologia, a ciência que estuda o uso do papiro como meio de comunicação durante as civilizações mediterrânicas antigas, conta com cerca de 500 a 600 especialistas de todo o mundo.

A cada três anos, estes especialistas trocam informações e atualizam-se sobre os papiros literários e documentais, que permitem conhecer como era a vida diária na Antiguidade, assim como novos textos, e novas tecnologias que facilitem o seu estudo, segundo explicou a papiróloga e coorganizadora do congresso, Sofia Torallas.

O congresso também contará com uma secção dedicada aos "papiros mágicos", explicou Torallas, que vai estudar os livros de introdução à magia para conhecer "como se transmitia este conhecimento da Antiguidade".

Torallas destacou que é "uma honra" poder celebrar o evento em Espanha, já que supõe o reconhecimento internacional do trabalho dos últimos 15 anos num país que, até há pouco tempo, "não tinha muita tradição académica" na papirologia.

Espanha conta com um arquivo de papiros em Madrid e dois em Barcelona, que se encontram em Montserrat e no Arquivo Histórico dos Jesuítas de Barcelona, e que contém "essencialmente documentos cristãos".

Apesar disso, até há um par de décadas não se tinha dirigido um estudo académico "nem em aulas nem em equipas de investigação", afirmou Alberto Nodar.

Depois do primeiro projeto em papirologia que o governo de 2004 promoveu, o professor da UPF considerou que ganharam "a confiança internacional", que se traduziu na eleição de Barcelona como sede deste 28º congresso.

Nodar dirigiu para além disso, um projeto de investigação que pretende reconstruir de maneira virtual a dimensão material e o conteúdo de livros e documentos escritos em papiro que formam parte do património cultural espanhol e que tem partes especialmente difíceis de decifrar por alguns rolos terem apodrecido "por destruição mecânica ou por fogo".

Os papiros, que datam do século X a.C. a X d.C, são originários do antigo Egito e encontram-se no Arquivo Histórico dos Jesuítas de Barcelona.

Lusa

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