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Conclusão do Palácio da Ajuda já estava prevista por executivo PSD/CDS

O antigo secretário de Estado da Cultura do anterior Governo PSD/CDS-PP, Jorge Barreto Xavier, afirmou esta terça-feira que a conclusão do Palácio da Ajuda já estava prevista pelo Governo a que pertenceu, dizendo que parece haver "falta de memória".

"O mais importante é que as coisas sejam feitas. Mas a história das coisas não é apesar de tudo indiferente", sustentou Barreto Xavier à agência Lusa.

O antigo governante falava no dia seguinte ao anúncio de que a construção do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, incompleta há mais de 200 anos, ficará concluída em dezembro de 2018, para acolher um museu com as joias da coroa portuguesa.

"As decisões para que as coisas acontecessem e as opções que foram tomadas, foram efetivamente desenvolvidas pelo anterior governo", sustentou o ex-secretário de Estado da Cultura.

De acordo com o ex-governante, o que foi acrescentado de "específico" pelo atual executivo do PS prende-se com o uso de receitas, por exemplo, da taxa turística de Lisboa, sendo que a utilização dos mais de quatro milhões de euros do seguro das joias da Coroa - que foram roubadas na Holanda em á 2002 - já estava também pensado pelo governo PSD/CDS-PP.

Barreto Xavier diz sentir nesta fase um "misto de agrado e desagrado" com o anúncio de segunda-feira em torno do Palácio.

Por um lado, há o "agrado pelo facto de um trabalho" passado estar a ser continuado, mas há também o "desagrado pelo facto de tal parecer uma novidade".

"A esse nível foquei inclusivamente um pouco perplexo", prosseguiu, acrescentando ainda haver notícias na Internet de 2014 de órgãos como o Expresso ou o Público que atestam que o anterior governo já tinha anunciado que iria terminar o Palácio Nacional da Ajuda.

O projeto de conclusão do palácio, da autoria do arquiteto João Carlos Santos, custará 15 milhões de euros, dos quais 11 milhões de euros (ME) serão investidos pela autarquia de Lisboa e pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL), foi anunciado na segunda-feira.

Nesse dia, com a fachada poente incompleta como pano de fundo e com a presença do primeiro-ministro, foi assinado o protocolo para dar início à finalização do edifício.

António Costa falou de "um dia histórico", por se poder concluir um edifício mais de dois séculos depois de ter sido iniciado.

Já o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou que este será um projeto de gestão partilhada entre o ministério, a autarquia e a ATL: a gestão museológica e científica será da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), enquanto a cobrança de bilhetes, receitas e gestão turística ficará a cargo da ATL.

Aos jornalistas, o presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina, explicou que as receitas geradas pelo espaço museológico serão repartidas de forma equitativa entre aquelas duas entidades.

A primeira pedra do Palácio Nacional da Ajuda foi colocada em novembro de 1795, mas o edifício - um dos maiores palácios da Europa - nunca chegou a ser concluído.

Ao longo de dois séculos foram vários os projetos arquitetónicos para o edifício, sendo agora finalizado com uma "fachada contemporânea e de linhas verticais", como descreveu o arquiteto João Carlos Santos.

É na ala poente do palácio que ficará o espaço museológico com milhares de exemplares das joias da coroa e tesouros da ourivesaria da Casa Real; um acervo que ficará exposto numa caixa forte protegida com um sistema integrado de segurança.

O acervo conta com 900 exemplares de joias reais, 830 joias de uso corrente, 4694 pratas utilitárias e decorativas, 172 peças de ordens e condecorações e vasta documentação e iconografia.

A adjudicação da obra está prevista para o segundo semestre de 2017 e estima-se que a conclusão seja em dezembro de 2018.

Lusa

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