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Ministro da Cultura diz que Bob Dylan "alia de forma exemplar a palavra e a música"

Chris Pizzello

O ministro da Cultura disse que a atribuição o Nobel da Literatura a Bob Dylan "é o reconhecimento de um grande poeta que alia de forma exemplar a palavra e a música numa inteira expressão poética".

O Prémio Nobel da Literatura foi atribuído esta quinta-feira a Bob Dylan, por ter criado novas formas de expressão poéticas, no quadro da grande tradição da música americana, como anunciou a Academia Sueca.

Para Luís Filipe de Castro Mendes "a atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan é o reconhecimento de um grande poeta que alia de forma exemplar a palavra e a música, numa inteira expressão poética".

Segundo o ministro da Cultura, o poeta e compositor norte-americano, de 75 anos, "tornou-se voz de várias gerações e os seus poemas cantares dos tempos de mudança".

O compositor e cantor norte-americano Bob Dylan, a quem a Academia Sueca atribuiu o Nobel da Literatura, é considerado um ícone, com grande influência na música contemporânea.

Dylan, de 75 anos, foi distinguido por "ter criado novas expressões poéticas no âmbito da música norte-americana", de acordo com a secretária-geral da Academia Sueca, Sara Danius.

Muitas das obras de Dylan centram-se nas condições sociais, humanas, religião, política e amor e as suas letras têm sido continuamente publicadas em novas edições, sob o título Lyrics.

O Nobel é a última das distinções atribuídas ao cantor que percorreu um longo caminho desde um início humilde como Robert Allen Zimmerman, nascido a 24 de maio de 1941, em Duluth, no Minnesota, que aprendeu sozinho a tocar harmónica, guitarra e piano.

Bob Dylan cresceu numa família judaica de classe média na cidade de Hibbing. Na adolescência tocou em várias bandas e com o tempo o seu interesse na música aumentou, especialmente pelo folk e blues norte-americano.

Um dos ídolos de Dylan era o cantor de música folk Woody Guthrie, e também foi muito influenciado pelos autores da chamada Geração Beat, bem como pelos poetas modernistas.

Em Portugal estão publicados dois livros com letras de canções, que abrangem os álbuns publicados entre 1962 e 2001, pela Relógio d'Água ("Canções I e II"), enquanto o primeiro - e único, ainda - volume da autobiografia de Bob Dylan, "Crónicas", saiu pela Ulisseia, do grupo Babel, na coleção Afluentes da Memória.

Em 2007, a Quasi Edições publicou o livro de ficção "Tarântula", prosa-poema experimental de 1966, altura em que Bob Dylan editou o álbum "Blonde on Blonde" e teve um acidente de moto, que o obrigou a um período de recuperação.

Em 1993, a editora Fora de Texto, de Coimbra, publicou "No vento que passa", com poemas de Bob Dylan, com tradução de Graça Nazaré.

Lusa

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