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Romance "As Afinidades Eletivas" de Goethe publicado sexta-feira

O romance "As Afinidades Eletivas", de Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), traduzido por Maria Assunção Pinto Correia, com um prefácio e notas do ensaísta João Barrento, é reeditado na sexta-feira, anunciou a editora.

Em declarações à agência Lusa, fonte da Bertrand Editora, que chancela a reedição, afirmou que este é o mesmo texto publicado em 1999 pela Relógio d'Água, o que se justificou pelo facto de a tradução de Maria Assunção Pinto Correia ser "considerada uma referência para esta obra".

"Contudo, é de notar que esta reedição foi revista e atualizada, embora mantenha o antigo acordo ortográfico, por preferência do prefaciador e da tradutora", acrescentou a mesma fonte.

O autor germânico considera este o seu melhor livro, e João Barrento conta no prefácio que o autor, interrogado certo dia por uma leitora, indignada pelo que considerava ser a natureza "imoral" do romance, lhe terá respondido "É pena, pois se trata do meu melhor livro".

Escreve o ensaísta português que Goethe tinha "alguma razão, porque se trata já" da sua última fase, um escritor mais amaduerecido.

João Barrento realça ainda que tudo o que Goethe disse ou escreveu sobre o romance, "e que, aliás, é bastante menos do que sobre outras obras maiores, terá tido a intenção de confundir a crítica e os leitores, serviu uma estratégia de ocultação e um culto do mistério".

"Goethe parece, na verdade, preocupar-se sobretudo em destacar uma 'técnica' composicional e estilística que sustenta as 'forças míticas' em ação no romance, os seus níveis mais ambíguos de sentido", escreve Barrento.

Este romance, que a editora aponta como "brilhante", data de 1805.

"'As Afinidades Eletivas' compreendem a exploração de uma simples presunção, a de que as relações humanas são governadas por forças semelhantes às que atuam em reações químicas, executadas meticulosamente", afirma a Bertrand Editora, que chancela a obra.

No prefácio, João Barrento propõe "um olhar" sobre este título "que terá de ser 'pós-clássico' e que vê o romance como uma obra na qual, além de compromissos pontuais, se explora e valoriza uma nova forma de sensibilidade, já romântica, e uma nova postura perante o mundo, que é obviamente de natureza saturnina e melancólica".

"O campo de ação é, como já o inteligente texto de [filosófo Karl Wilhelm] Solger salientava no século XIX, o do amor, da paixão subjetiva, como 'destino' incontornável do indivíduo moderno".

Para Goethe, refere o ensaísta português, "amor é de facto a força real, não metafórica, e isto é importante para entender 'As Afinidades Eletivas', o que faz mover o universo".

Segundo a editora portuguesa, o romance "destaca os conflitos morais da época, as questões associadas ao matrimónio e apresenta as paixões enquanto determinantes dos nossos atos".

Trata-se, prossegue a Bertrand, de "um romance que nos remete para a história de um casal cujos membros se apaixonam em simultâneo por convidados da sua casa. Um conflito entre paixão e razão que acaba por desembocar numa situação caótica".

Em fevereiro do ano passado, também com prefácio de João Barrento, que assinou a tradução, a Bertrand publicou "Viagem a Itália", obra escrita a partir dos diários de Goethe, descrição da viagem que o autor realizou a Itália, entre 1786 e 1788, e que constituiu uma peça marcante no seu percurso estético e filosófico.

Johann Wolfgang Goethe, realça a editora, "é um dos grandes escritores da literatura europeia".

O escritor irlandês James Joyce incluiu-o no que denominou de "Santíssima Trindade da Escrita na Europa". Os outros dois são Dante Alighieri (1265-1321) e William Shakespeare (1564-1616).

Autor de "Fausto" e de "Werther", Goethe foi um dos mentores do movimento literário germânico "Sturm und Drang" ("Tempestade e Ímpeto", em tradução livre), que postulou alguns dos princípios do movimento estético-filosófico do romantismo.

O escritor, nascido em Frankfurt, viveu sempre da literatura, graças a um contrato que conseguiu com a sua editora, facto raro na época.

Lusa

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