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Morreu Emmanuelle Riva, protagonista de "Amor" e"Hiroshima, meu amor"

© Lucas Jackson / Reuters

A atriz francesa Emmanuelle Riva, protagonista dos filmes "Amor", de Michael Haneke, e "Hiroshima, meu amor", de Alain Resnais, morreu em Paris, aos 89 anos, vítima de doença prolongada, noticiou o Le Monde.

A sua morte, na sexta-feira, aconteceu "na sequência de uma longa doença", anunciou este sábado a família.O filme "Amor", de língua francesa, escrito e dirigido por Michael Haneke, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012 e também foi premiado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Venceu igualmente os prémios César de cinema francês e da Academia Europeia de Cinema, entre os quais os de Melhor Atriz.Na história de Emmanuelle Riva destaca-se ainda o filme "Azul", da trilogia de Krzysztof Kieslowski ("Azul", "Branco" e "Vermelho").

Em "Hiroshima, meu amor", "ela é única - é a primeira vez que se vê no ecrã uma mulher adulta com uma interioridade e um raciocínio levados a tal ponto", disse o crítico francês Doniol-Volcroze, sobre a personagem da atriz no filme de Resnais, numa mesa-redonda dos Cahiers du Cinema, reproduzida no catálogo da Cinemateca Portuguesa, dedicado ao realizador.

"A sua representação vai no sentido do filme. Trata-se de um enorme esforço de composição", disse o cineasta Jacques Rivette, no mesmo encontro, referindo-se à protagonista do filme, escrito por Marguerite Duras, uma reflexão sobre a guerra, 14 anos depois da explosão das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki.

"Até ao fim, manteve-se ativa", sublinhou a agente da atriz, Anne Alvares Correa, citada pela agência France-Presse.

Alvares Correa lembrou a rodagem do filme "Paris Pieds nus", de Fiona Gordon e Dominique Abel, e "Alma", de Kristín Jóhannesdóttir, na Islândia, que deverá ser estreado em março, assim como o monólogo "Medusa suite", que Emmanuelle Riva interpretou na Vila Médicis, em Itália, no passado mês de novembro.

"Emmanuelle Riva era uma mulher emocionante, uma artista de uma exigência rara. É uma voz inesquecível que parte", disse a presidente do Centro Nacional de Cinema, de França, Frédérique Bredin, citada pela AFP.

De "Hiroshima, meu amor" (1959) a "Amor" (2012), "ela foi uma das atrizes mais audaciosas do cinema francês", acrescentou a responsável.

Embora não tenha recebido a Palma de Ouro, em Cannes, o filme de Resnais, que só teve estreia em Portugal após o 25 de Abril, foi a 'sensação' do festival, em 1959.

Foi nomeado para os Óscares, venceu os prémios BAFTA, da academia britânica de cinema, e os prémios da Crítica de Nova Iorque.Três anos depois, no Festival de Veneza, Riva venceu o prémio de Melhor Atriz, pelo desempenho em "O Pecado de Teresa"/"Thérèse Desqueyroux", de Georges Franju, sobre o romance de François Mauriac.

Nascida como Paulette Germaine Riva, em 1927, a atriz somou uma carreira de quase 60 anos e a sua voz "marcou o teatro, o cinema, a televisão", trabalhou com Jean-Pierre Melville, André Cayatte, Marco Bellochio, Philippe Garrel.

Na década de 1990, destacam-se os papéis em "Loin du Brésil", de François-Louis Tilly, "Azul", de Krzysztof Kieslowski, e "Vénus Beauté", de Tonie Marshall.

O filme "Amor", em que desempenha uma mulher condenada pela doença - uma interpretação partilhada com Jean-Louis Trintignant - somou mais de uma centena de nomeações para prémios de cinema, em todo o mundo, e conquistou mais de 70 prémios, entre os quais 16 de Melhor Atriz, dos BAFTA e dos César, aos prémios da Academia Europeia de Cinema, da crítica, nos Estados Unidos, e de festivais em Itália, Brasil ou Reino Unido.

Em 2014, recebeu o Beaumarchais de Melhor Atriz de teatro pela interpretação em "Savannah Bay", de Marguerite Duras."É uma grande alegria sentir que saímos de nós mesmos, para irmos não se sabe onde", disse Riva à AFP, sobre o trabalho como atriz.

Lusa

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