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Prémio Camões entregue hoje em São Paulo ao escritor brasileiro Raduan Nassar

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O escritor brasileiro Raduan Nassar recebe esta sexta-feira, em São Paulo, no Brasil, o Prémio Camões do ano de 2016, numa cerimónia a realizar no Museu Lasar Segall, informou o Governo de Brasília.

A cerimónia conta com o ministro brasileiro da Cultura, Roberto Freire, e o Governo de Lisboa estará representado pelo embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral.

O ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, "não poderá estar presente, por razões de agenda", segundo o seu gabinete.

Autor de obras como "Lavoura Arcaica" (1975) e "Um Copo de Cólera" (1978), Raduan Nassar foi distinguido em maio de 2016 com o Prémio Camões, por um júri constituído pelos professores, autores e investigadores Sérgio Alcides do Amaral e Flora Süssekind, pelo Brasil, Paula Morão e Pedro Mexia, por Portugal, e Inocência Mata e Lourenço de Rosário, pelos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Raduan Nassar nasceu em Pindorama, Estado de São Paulo, em 1935, descende de uma família libanesa, estudou Direito e Letras na Universidade de São Paulo, onde acabou por concluir a formação académica em Filosofia.

Hoje, com 81 anos, Raduan Nassar soma perto de três décadas de afastamento dos circuitos literários, quase sem dar entrevistas, com uma bibliografia praticamente inalterada, dedicando-se à vida de fazendeiro.

A obra do autor é curta, mas as edições e traduções, especialmente de "Lavoura Arcaica" e "Um copo de cólera", não param de crescer.

O autor fez parte, no ano passado, da lista inicial (a lista longa) do Man Booker International Prize, com a tradução inglesa de "Um Copo de Cólera".

Em Portugal, Raduan Nassar foi publicado apenas em 1998, quase 20 anos após a edição original de "Um copo de cólera", quando a obra surgiu no catálogo da Relógio d'Água.

Seguir-se-ia, na mesma editora, um ano depois, "Lavoura Arcaica", o romance de estreia do escritor (1975), com um estudo da professora Sabrina Sedlmayer.

Em 2000, a coletânea de contos "Menina a caminho" foi publicada pela editora Livros Cotovia, que, em 2003, recuperaria o escritor para a antologia "Fotografia de grupo", de vários autores.

A obra completa de Raduan Nassar, porém, só ficou disponível em Portugal este mês, com a publicação, pela Companhia das Letras, de uma edição alargada de "Menina a Caminho", com três contos inéditos do escritor brasileiro entretanto descobertos.

A chancela brasileira, que entrou recentemente no mercado português, lançou, logo após a atribuição do Prémio Camões ao autor, a novela "Um Copo de Cólera", seguido do romance "Lavoura Arcaica".

A nova edição de "Menina a Caminho" inclui um capítulo designado "Safrinha", que inclui dois contos e um ensaio nunca antes publicados em português.

Os dois contos, que datam do fim da década de 1960, são "O velho", anteriormente só disponível em francês, e "Monsenhores", um inédito.

Quanto ao ensaio, "A corrente do esforço humano", só havia sido publicado na Alemanha, em 1987.Ao longo da carreira de Nassar, multiplicaram-se os prémios à sua obra, e seus os livros foram sendo traduzidos para diferentes línguas, como espanhol, francês, italiano, alemão e inglês.

"Lavoura Arcaica" deu-lhe o prémio de Romance da Academia Brasileira de Letras, logo em 1976, quando da publicação da obra. Recebeu ainda o prémio Ficção para "Um copo de cólera" e o prémio Jabuti Revelação, da Câmara Brasileira do Livro, entre outras distinções.

Com o valor de cem mil euros, repartidos igualmente por Portugal e Brasil, o Prémio Camões é a mais importante distinção literária dos países de língua portuguesa, e celebrou no ano passado a 28.ª edição.

O prémio foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir uma obra que contribua para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa, e foi atribuído pela primeira vez em 1989 ao escritor Miguel Torga (1907-1995).

Em 2015, o Prémio Camões foi entregue à escritora portuguesa Hélia Correia.

Lusa

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