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"Dois homens completamente nus" no Teatro Villaret a partir de quinta-feira

Dois homens acordam despidos num sofá, sem que se lembrem do que se passou, e são surpreendidos pela mulher, no início da peça "Dois homens completamente nus", que se estreia na quinta-feira, no Teatro Villaret, em Lisboa.

Protagonizada por Miguel Guilherme, Jorge Mourato, Sandra Faleiro e Susana Blazer, "Dois homens completamente nus" é uma comédia do dramaturgo francês Sébastien Thiéry, centrada em dois homens casados, de boa reputação, que um dia acordam juntos, nus, num sofá sem se lembrarem do que aconteceu entre eles.

Encenada por Tiago Guedes, a peça nunca chega a abordar o tema da homossexualidade, até porque as duas personagens do sexo masculino que a interpretam estão perfeitamente convencidas de que são heterossexuais. Para Tiago Guedes, aliás, a homossexualidade nem sequer é a questão mais importante que a peça aborda, pois esta é apenas "um pretexto".

"A questão mais importante reside no facto de nos fazer pensar porque é que as pessoas acabam por ter sempre de viver algo das suas vidas em negação para, de uma forma ou de outra, agradarem à sociedade", disse o encenador à agência Lusa.

"O que é de facto importante e que nos deixa a pensar é que esta peça, que é simples e leve, nos põe a pensar porque é que em determinada altura todos nós temos algo que acabamos por negar para não 'chocar', digamos assim, a sociedade", acrescentou. Questionado sobre como surgiu a ideia desta peça, Miguel Guilherme disse que andava a ler textos para uma encenação, até que se deparou com esta numa publicação francesa de teatro.

"E achei o texto maravilho. Por tudo, pelo inesperado, pela graça, por ser muito absurdo", disse o ator. Para Miguel Guilherme, trata-se de um texto que, "ao mesmo tempo que é um 'boulevard', é absurdo"."E o autor consegue um equilíbrio raro entre as duas coisas", frisou.

O ator sublinhou ainda que a peça, apesar de ser muito divertida, "é um bocadinho inquietante, na medida em que um dos personagens -- o que interpreta -- mente para tentar salvar o casamento, mas também porque anda desesperadamente em busca da verdade"."É inquietante, na medida em que há uma espécie de 'black out'. Tanto ele como o outro personagem não se lembram de como é que foram ali parar", frisou, acrescentando que esse lapso de memória ocorre com uma situação que é grave, já que são apanhados pela mulher de um deles.

Questionado pela Lusa sobre se as personagens conseguem descobrir a verdade e o que se passou, Miguel Guilherme disse que descobrem uma "verdade parcial".

"Mas não descobrem o que aconteceu e o motivo por que acordam juntos e nus naquele sofá", disse, acrescentando, contudo, que a peça está escrita de forma a que o espetador não fique frustrado, por não se descobrir o que aconteceu de facto entre os dois homens.

A peça -- que vai estar em cena de quinta-feira a sábado, às 21:30, e, aos domingos, às 16:30, - tem um ensaio solidário na quarta-feira à noite, com a receita da bilheteira a reverter na totalidade para a Associação Nacional de Fibrose Quística (ANFQ).

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