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Teatro D. Maria II regressa ao Festival de Avignon para fazer a estreia de "Sopro"

teatro nacional d.maria II / facebook

"Sopro", protagonizada por Cristina Vidal, uma mulher que trabalha como ponto no Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) há mais de 25 anos, estreia-se na sexta-feira, no Festival de Avignon, em França.

Da autoria de Tiago Rodrigues, trata-se da primeira estreia do TNDM no certame e a segunda criação apresentada pelo teatro naquele festival francês, depois de "António e Cleópatra" (2015), também da autoria do diretor artístico do Nacional.

A estreia de "Sopro", pelas 22:00, no Cloître des Carmes, conta com a presença do secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado.

"Sopro" manter-se-á em cartaz até 16 de julho, integrada na programação da 71.ª edição do Festival de Avignon, subindo depois, de 02 a 19 de novembro, ao palco da Sala Garrett do TNDM.

Em março último, quando foi divulgada a estreia desta peça, naquele que é considerado um dos principais festivais de teatro, a nível mundial, Tiago Rodrigues explicou que a ideia de fazer "Sopro" decorreu do facto de se ter confrontado com a existência de dois pontos profissionais - os últimos em Portugal - quando, em 2015, assumiu funções de diretor artístico do D. Maria II.

Por ter trabalhado numa companhia independente, não sabia que utilidade dar-lhes, mas a presença de Cristina Vidal nos ensaios "tem algo da solenidade rigorosa de um samurai da palavra e também da sabedoria de quem já trabalhou com atores de todos os estilos, idades e temperamentos", pelo que rapidamente se tornou "indispensável" para Tiago Rodrigues, observou, na altura, o autor.

"Com ela, aprendi que o ponto não é apenas esse burocrata dos bastidores que obriga à fidelidade do texto, que socorre as falhas de memória ou corrige as adulterações ao original. O ponto é um cúmplice dos atores, nos seus momentos de perfeição e, sobretudo, nos de imperfeição. Conhece-os, adapta-se a eles, aprende a respirar ao mesmo ritmo que eles. O ponto é também um advogado do autor e um conselheiro do encenador", frisou.

O lugar de partida de "Sopro" é assim a imagem de uma mulher nas ruínas de um teatro, onde trabalhou como ponto durante toda a vida.

"Que teatro habita a sua imaginação e a sua memória? Que mundo nos pode dar a ver, usando apenas o seu sopro invisível?", "O que aconteceria se um teatro se desmoronasse e, nos seus escombros, só encontrássemos um sobrevivente: o ponto?" -, eis algumas das questões levantadas na peça.

"No meio dos escombros, ela sopra histórias. Algumas aconteceram em palco e outras nos bastidores, algumas parecem reais e outras ficcionais. Não sabemos quais são o quê. Ela própria, que as sopra, acaba por misturar cenas de peças com cenas da vida real. A sua memória não as distingue", lia-se numa nota do Nacional, de apresentação da obra.

"Sopro" é também uma história de "histórias de amor, de intriga, de trabalho, de política, de vingança, de solidão, de amizade, e todas passadas num teatro", com interpretação de Beatriz Brás, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Sofia Dias e Vitor Roriz.

A cenografia e desenho de luz são de Thomas Walgrave.A peça tem produção conjunta do TNDM, com Festival de Avignon, Théâtre de la Bastille, Le Parvis - Scène Nationale Tarbes Pyrénées, Terres de Paroles - Seine Maritime - Normandie, ExtraPôle Provence-Alpes-Côte d'Azur, em França, e com o Teatro Viriato, em Viseu.

Nesta edição do Festival de Avignon, será ainda apresentada uma outra peça de Tiago Rodrigues, "Tristeza e alegria na vida das girafas", com encenação de Thomas Quillardet, estreada em 2011 no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa.

Lusa

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