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Kyle Maynard, o quádruplo amputado que vai disputar o mundial de jiu-jitsu

O norte-americano Kyle Maynard, que em 2012 se tornou no primeiro quádruplo amputado a subir o Kilimanjaro, prepara-se para um novo desafio: disputar em maio o campeonato mundial de jiu-jitsu no Brasil.

AP

"Não estou morto, não posso desistir" é o lema de vida de Maynard, que hoje desenvolveu o tema, em Lisboa, durante o congresso O Que de Verdade Importa.

Kyle Maynard, que nasceu sem braços e sem pernas, admitiu que foi esse lema que o fez não desistir, ao quarto dia, da subida à montanha mais alta do continente africano, que demorou 15 dias.

Perante uma plateia que o ovacionou sempre que contou histórias da sua vida, o norte-americano, que este mês completa 29 anos, considerou que "cada um tem dentro se si a força para concretizar os sonhos".

"Quando eu nasci, muitos disseram que nunca ia ter uma vida normal e que teriam sempre de me ajudar a vestir ou a comer (...). Hoje, vivo longe dos meus pais, uso uma lâmina de barbear e escova de dentes, tenho um carro adaptado e uso um iPhone", afirmou.

O norte-americano, que em criança jogou futebol-americano e já foi campeão de luta livre em competições com pessoas sem deficiência, mostrou-se convicto de que "cada um pode escolher como usa a sua vida, para fazer o mundo melhor".

Maynard admitiu que muitas vezes arranjou desculpas que o impediam de realizar alguns sonhos, mas depois percebeu que "nenhuma desculpa ajudou ninguém no planeta".

Kyle Maynard desafiou todos a perceberem como são poderosos e como podem mudar o mundo e acrescentou: "Depois de decidirem e de perceberem o que é realmente importante. Desde de que tenham um propósito, uma visão para a vida, nada mais importa".

O norte-americano contou algumas experiências e explicou como a perseverança pode ser uma boa aliada. "Comecei por demorar 45 minutos para calçar uma meia, agora demoro cinco segundos", relatou, admitindo que "os botões ainda são um grande desafio".

Maynard admitiu que em muitos momentos da vida teve "vontade de desistir" e que em miúdo "rezava e pedia a Deus para acordar com pernas e com braços".

Hoje não pensa assim e não trocava a sua vida por qualquer outra: "Nascer da forma como nasci foi uma oportunidade de aprender sobre a vida e crescer".

Por agora, o seu grande objetivo é o mundial de jiu-jitsu, para o qual treina entre quatro a seis horas por dia, mas Kyle Maynard não esquece como foi o início da sua carreira na luta livre.

"No primeiro ano perdi os combates todos. O meu pai disse-me que no primeiro ano todos perdiam, mas que se eu continuasse encontraria no segundo ano alguém do primeiro e conseguiria ganhar. Treinei muito e ganhei mesmo", contou.

Kyle Maynard já tem projetos para depois do jiu-jitsu: quer fazer vela e, quem sabe, "ir ao espaço".

Na sua passagem por Lisboa, admitiu ter adiado "por algum tempo" a tentativa de subir ao Aconcagua, com 6.960 metros de altitude, disse que sonha ir ao espaço e deixou uma mensagem: "depois de cada um perceber o que realmente importa, tudo é possível".

No congresso O Que de Verdade Importa, organizado por uma fundação com o mesmo nome, participaram também Alexia Vieira, criadora da Fundação Khanimambo, e Tomaz Morais, diretor técnico da Federação Portuguesa de Râguebi.







Lusa
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