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"A minha saída nada tem a ver com resultados desportivos", Carlos Queiroz

O selecionador do Irão, Carlos Queiroz, chegou hoje a acordo com o presidente da Federação iraniana de futebol, Ali Kafashian, para rescindir o contrato, mas, de acordo com o treinador, esta não resultou da vontade de nenhum dos dois.

© Edgar Su / Reuters

"Tenho uma ótima relação com o presidente e chegámos a um acordo amigável depois de analisar profundamente a situação presente no seio da Federação iraniana. A minha saída não tem a ver com resultados desportivos, mas sim com a situação presente da Federação", explicou Carlos Queiroz, em declarações à agência Lusa. 

O antigo selecionador português, cujo contrato tinha sido renovado há seis meses até ao Mundial de 2018, na Rússia, manter-se-á no cargo até 31 de março, logo após o jogo particular que o Irão vai disputar em Estocolmo, na Suécia, sendo ainda ele a dirigir a seleção asiática na partida anterior, frente ao Chile, que se realiza na Áustria, também de preparação.  

Carlos Queiroz revelou que a sua saída não resultou da sua vontade nem da vontade do presidente da Federação iraniana, mas não quis ir mais além.

"Não posso dizer mais do que isto neste momento. Só depois do acordo estar assinado é que poderei referir alguns detalhes. O que posso dizer é que o acordo mútuo foi estabelecido a meu pedido depois de analisar, juntamente com o presidente, a situação atual da Federação iraniana, e que ambos achámos que foi a melhor solução", disse.

No entanto, Queiroz rejeita liminarmente que a sua saída tenha a ver com os resultados desportivos, lembrando que "há dois anos que o Irão está em primeiro lugar no ranking da FIFA para a Ásia". 

"De resto, o presidente Ali Kafashian foi escolhido para vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol em consequência dos bons resultados desportivos da seleção. Pessoalmente, senti-me frustrado por termos sido eliminados nos quartos de final da Taça de Ásia, pelo Iraque, devido a uma arbitragem desastrosa, caso contrário estaríamos na final. Mas as nossas exibições e o futebol que praticámos fizeram com que fossemos recebidos por muitos milhares de pessoas no aeroporto, no regresso", afirmou.  

Quando questionado se a sua saída teve a ver com pressões diretas do próprio Governo iraniano, Carlos Queiroz não quis responder, nem mesmo confirmar o rumor de que terá sido contestado por dois elementos governamentais pela convocatória de dois jogadores para os jogos particulares frente ao Chile e à Suécia. 

"O que tenho para dizer, neste momento, é que eu e o presidente da Federação entendemos que a melhor solução passa pela minha saída do cargo após o jogo com a Suécia, decisão essa tomada contra a nossa vontade", reiterou Carlos Queiroz, cuja continuidade como selecionador do Irão chegou a estar em causa depois do Mundial 2014, no Brasil.

As razões desse impasse em torno da renovação, que acabaria por se concretizar, tiveram a ver, segundo o treinador português, com "a mesma matéria que esteve agora em cima da mesa".

O novo contrato era extensível até ao Mundial2018 e Carlos Queiroz tinha "um plano estratégico de preparação" com o objetivo de "apurar, pela primeira vez, o Irão para os oitavos de final de um campeonato do mundo".

Carlos Queiroz, que voltará ao Irão para assinar os termos do acordo de rescisão depois do jogo com a Suécia, no final do mês, elogiou ainda o povo iraniano.

"Se há sítio onde tive o privilégio de ter praticamente suscitado unanimidade em termos de aceitação e de respeito, esse sítio foi o Irão, um país com 70 milhões de pessoas. No programa mais visto no Irão, que é sobre futebol e tem uma audiência de 25 a 30 milhões de espetadores, oitenta por cento das pessoas disseram nutrir carinho e respeito por mim. Não posso ficar indiferente ou ignorar o apoio e o carinho que a maioria dos adeptos iranianos tem pelo meu trabalho", disse.









Lusa
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