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Federação espanhola e sindicato respeitam decisão de suspender a greve

A Federação Espanhola (RFEF) e a Associação de Futebolistas (AFE) vão respeitar a decisão da Câmara Social da Audiência Nacional, que deu hoje provimento à providência cautelar interposta pela Liga (LFP), suspendendo, por tempo indeterminado, a greve anunciada.

Treino do Real Madrid.

Treino do Real Madrid.

© Reuters Staff / Reuters

Após conhecer a deliberação do tribunal de apelo, a RFEF anunciou em comunicado que as competições profissionais "vão decorrer dentro do calendário previsto e com os jogos a realizarem-se no horário que já tinha sido definido no início de maio".

Em causa estava, para já, a 37.ª jornada do campeonato, a penúltima da competição, numa altura em que o FC Barcelona lidera com quatro pontos de vantagem sobre o Real Madrid, segundo classificado. Os catalães deslocam-se ao terreno do Atlético Madrid, atual campeão, enquanto os 'merengues' vão atuar no campo do Espanyol.

Pela voz do seu presidente, a AFE também optou por acatar a decisão judicial, embora seja uma solução que "vai deixar tudo na mesma".

"Os problemas vão continuar a existir", alertou Luis Rubiales. 

A AFE anunciou na semana passada que os futebolistas iriam entrar em greve por tempo indeterminado a partir de sábado e a Liga, que promove a competição nas duas principais divisões, entrou de imediato com uma providência cautelar, por considerar a ação ilegal.

"Foi feita justiça", considerou o presidente da LFP, Javier Tebas.

Em comunicado, os magistrados da Câmara Social de Audiência Nacional, que tem sede em Madrid, condicionam a suspensão da greve dos futebolistas ao depósito de uma caução por parte da Liga de cinco milhões de euros, que deverão ser transferidos para os cofres da instituição até às 15:00.

Em causa está um decreto-lei aprovado pelo Governo espanhol a 30 de abril, que prevê a centralização da venda dos direitos de transmissão televisiva e determina que os clubes na primeira divisão recebam 90 por cento do valor realizado, cabendo apenas 10 por cento aos da segunda divisão, uma desigualdade contestada por jogadores e federação.

As entidades intervenientes no processo já reuniram por várias vezes na tentativa de encontrar uma solução e, pese embora algum entendimento pontual, não conseguiram chegar a um acordo.

Também a associação de árbitros espanhóis (RFEF), que faz as nomeações para os dois principais escalões do futebol espanhol, já havia decidido parar a partir da mesma data.

A greve era apoiada por jogadores de topo como o guarda-redes Iker Casillas, do Real Madrid, e Andrés Iniesta, do FC Barcelona, que defendem uma fatia maior da receita das transmissões a ser canalizada para os clubes tidos como menores.

Em causa estava, também, a última jornada da Liga espanhola, a 23 de maio, e a final da Taça de Espanha, a 30 de maio, entre o FC Barcelona e o Athletic Bilbau.


Lusa
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