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Seleção portuguesa reduzida nos Mundiais de atletismo

Portugal apresenta-se nos Campeonatos do Mundo de atletismo de Pequim com apenas 16 atletas, uma das mais pequenas delegações de sempre, e sem nenhum claro candidato a uma conquista de medalha.

© Dominic Ebenbichler / Reuters

O panorama do atletismo luso continua a não ser brilhante, mesmo tendo em conta que face a Moscovo2013 há uma subida do número de atletas (de 12 para 16), já que em 32 anos de Mundiais apenas por quatro vezes o país se apresentou com menos de 20 unidades: aconteceu no ano de estreia, 1983 (11), 2003 (14), há dois anos e agora.

Nos Mundiais, que se iniciam sábado e se prolongam até ao dia 30, Portugal 'arrisca-se' mesmo a chegar a um histórico período de três edições sem medalhas - o que nunca aconteceu - se nenhum português sair do 'Ninho de Passáro' de Pequim com ouro, prata ou bronze.

Sem nenhum atleta no 'top-5' entre os inscritos, atendendo à marca da época, os melhores portugueses, com alguma possibilidade de serem 'outsiders' para o pódio, são Nelson Évora (nono no triplo), Sara Moreira (oitava nos 10.000 metros) e Ana Cabecinha (sétima nos 20 km marcha).

Foram eles que, justamente, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, apontou, no momento de partida para a China, como "possíveis candidatos a medalhas", se as provas lhes correrem de feição.

Ainda no 'top-10' estão Tsanko Arnaudov (nono no peso), Vera Santos (10.ª nos 20 km marcha) e Patrícia Mamona e Susana Costa (igualadas em nono no triplo), enquanto os restantes nove lusos entram com uma marca abaixo do lugar 10, com ambições mais moderadas.

Melhorar a participação de Moscovo2013 parece acessível, já que os resultados na capital russa foram globalmente os piores de sempre - dois lugares de finalista (João Vieira em quarto e Ana Cabecinha em oitava, nos 20 km marcha) e apenas seis atletas até ao 16.º.

Nelson Évora é a primeira figura da seleção, de novo. Aos 31 anos, o campeão olímpico de 2008 e mundial de 2007 voltou a estar a muito bom nível e chega a Pequim como campeão europeu de pista coberta.

No entanto, com dois atletas para lá dos 18 metros esta época (o cubano Pedro Pablo Pichardo e o norte-americano Christian Taylor, atual campeão), o seu limite parece estar reduzido ao possível bronze.

Entre 17,53 metros e 17,18 estarão em contenda oito atletas, entre os quais o português, que este ano ultrapassou 17,24, no meeting de Lausana, na Suíça.

Ana Cabecinha tem sido de uma constância impressionante desde os Jogos Olímpicos de 2008, sempre com classificações entre o sexto lugar e o nono.

Mesmo sem a presença das russas, 'varridas' das listas por causa dos escândalos que afetaram a imagem do centro russo da marcha atlética, a atleta do Pechão sabe que terá pela frente três muito motivadas chinesas (entre as quais a Liu Hong, a melhor do ano) e ainda as sempre competitivas italianas, este ano também em grande.

Quanto a Sara Moreira, aparece como a primeira 'outsider' ao poderio das fundistas do Quénia, da Etiópia e dos Estados Unidos. A portuguesa está em forma e é uma terminadora de bom nível, mas o favoritismo vai para as quenianas Sally Kypiego e Vivian Cheruyot e para a etíope Gelete Burka.

No triplo salto, Susana Costa e Patrícia Mamona, esta época 'irmanadas' na marca, são igualmente apostas para um lugar no top-8 e até ao 16.º da listagem final podem entrar, igualmente, Dulce Félix (10.000 metros), Irina Rodrigues (disco), Inês Henriques e Vera Santos (20 km marcha) e Tsanko Arnaudov (peso).

Mais abaixo dessa marca devem ficar Yazaldes Nascimento (100 metros), Hélio Gomes (1.500 metros), Filomena Costa (maratona), Pedro Isidro (20 km marcha) e os gémeos João e Sérgio Vieira (20 km marcha).

João Vieira foi o melhor dos portugueses há dois anos na Rússia, com o quarto lugar alcançado. Esta época, já com 39 anos (é o decano da equipa, a par do seu irmão Sérgio), decididamente não pode aspirar a um lugar entre os melhores, nomeadamente porque passou por paragem por lesão e tem a 37.ª marca entre os inscritos.

A seis meses dos 40 anos, João Vieira atinge em Pequim uma histórica nona presença em Mundiais de atletismo, reforçando-se como segundo português de sempre, mas ainda a duas presenças de Susana Feitor.

A marchadora, que até tinha mínimos para a prova dos 20 km, é uma das grandes ausências lusas na seleção: está 'tapada' pelas mais novas Ana Cabecinha, Vera Santos e Inês Henriques. Face ao último Mundial, realce ainda para a não presença de Marco Fortes (peso), Edi Maia (vara) e Marcos Chuva (comprimento), atletas que tentaram mínimos até ao último dia.

Uma nota final para a crescente 'veterania' da seleção portuguesa, com 13 atletas entre os 29 e os 39 anos. Muitos não deverão estar a este nível, dentro de dois anos. As exceções são Tsanko Arnaudov (23 anos), Irina Rodrigues (24) e Patrícia Mamona (26).

Lusa

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