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Ex-presidente da Federação Russa de Atletismo recorre para o TAS após escândalo de doping

O antigo presidente da Federação Russa de Atletismo, e ex-tesoureiro da Federação Internacional (IAAF), Valentin Balakhnitchev, pretende contestar na justiça as acusações de doping no atletismo russo, num relatório da Agência Mundial Antidopagem (AMA).

A Agência Mundial de Antidopagem criou uma comissão de três elementos com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014. (Arquivo)

A Agência Mundial de Antidopagem criou uma comissão de três elementos com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014. (Arquivo)

© Issei Kato / Reuters

"Sempre fui fiel aos meus princípios. É por isso que vou, definitivamente, levar este assunto ao Tribunal Arbitral do Desporto [TAS] em Lausana. Caso contrário, esta história nunca será clara", disse Balakhnichev, citado pela agência ITAR-TASS.

Num relatório publicado segunda-feira, a AMA acusa a Rússia de "doping organizado" e que os seus atletas foram protegidos pelo Estado, recomendando a suspensão do país de todas as competições de atletismo, entre as quais os Jogos do Rio2016.

Valentin Balakhnitchev deixou a presidência da federação, na qual estava desde 1991, em fevereiro deste ano, na sequência de um primeiro escândalo de doping.

Em dezembro de 2014 já tinha abandonado as funções de tesoureiro na IAAF, após uma televisão alemã mostrar um documentário em relação ao doping na Rússia.

O relatório da Comissão Independente (CI) da AMA, tornado público na segunda-feira, recomenda a suspensão da Federação russa de atletismo, por práticas de doping, assim como a retirada da acreditação ao laboratório de Moscovo, cujo diretor foi responsável pela destruição de 1.417 amostras consideradas suspeitas de práticas dopantes.

O documento elaborado pela comissão acusa também, entre outras coisas, os serviços secretos russos de intimidação dos responsáveis pela análise de amostras recolhidas nos Jogos Olímpicos de Sochi (2014) e recomenda, igualmente, a erradicação de cinco atletas e cinco treinadores.

Entre os atletas que a comissão quer ver afastados do atletismo está Mariya Savinova, campeã olímpica dos 800 metros nos Jogos de Londres2012, e Ekaterina Poistogova, bronze na mesma categoria.

A agência mundial criou uma comissão de três elementos, chefiada por Dick Pound, justamente com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014.

De acordo com os responsáveis da Comissão, é muito claro que os casos de doping no atletismo russo "não poderiam ter acontecido" sem o conhecimento e consentimento do governo russo.

A AMA quer agora que a Rússia seja impedida de estar nas provas de atletismo dos Jogos do Rio2016, considerando que os resultados de Londres2012 foram "sabotados" pela presença de atletas dopados.

O presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, vai propor ao conselho diretivo que considere a recomendação da AMA para sancionar a federação russa, numa penalização que poderá levar à suspensão total e retirada dos atletas russos de futuras competições da IAAF.

Lusa

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