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Federação Portuguesa de Atletismo considera doping russo um "crime organizado"

O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Jorge Vieira, considerou esta terça-feira que o escândalo do doping russo "configura uma situação de crime organizado", com "repercussões preocupantes", e defendeu "a exclusão de todos os prevaricadores".

A Agência Mundial de Antidopagem criou uma comissão de três elementos com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014. (Arquivo)

A Agência Mundial de Antidopagem criou uma comissão de três elementos com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014. (Arquivo)

© Pawel Kopczynski / Reuters

Em declarações à agência Lusa, Jorge Vieira disse que o que preocupa mais nesta situação é que, ao contrário do que é habitual em casos anteriores, de que os processos de doping são individuais, se está "perante um caso organizado ao nível da federação russa de atletismo e do próprio país".

"Não se tratam de casos individuais, isolados, de um atleta ou outro, mas configura uma situação de crime organizado superiormente, com falhas éticas gravíssimas cometidas por uma federação ou por um país. Isto é muito mais grave e preocupante do que outra qualquer situação anterior", considerou.

Em causa está um relatório da Comissão Independente (CI) da AMA, tornado público na segunda-feira, que recomenda a suspensão da Federação russa de atletismo, por práticas de doping, assim como a retirada da acreditação ao laboratório de Moscovo, cujo diretor foi responsável pela destruição de 1.417 amostras consideradas suspeitas de práticas dopantes.

O documento elaborado pela comissão acusa também, entre outras coisas, os serviços secretos russos de intimidação dos responsáveis pela análise de amostras recolhidas nos Jogos Olímpicos de Sochi (2014) e recomenda, igualmente, a erradicação de cinco atletas e cinco treinadores.

"Segundo rezam as notícias que se vão ouvindo, todo este processo de dopagem tinha a conivência da federação russa, o que é obviamente muito grave, e não tenho outra leitura da que a começa a estar em cima da mesa e que passa pela suspensão do próprio organismo", adiantou Jorge Vieira.

O dirigente defende que da mesma forma que "quando há um atleta que prevarica este deve ter consequências pessoais", também quando é uma organização que prevarica esse organismo deve "sofrer consequências institucionais organizacionais, nomeadamente a sua suspensão, que é o que a própria IAAF estará a apreciar.

"Não podemos, com estes casos, ainda por cima organizados, generalizarmos e dizer que todo o desporto é isto. As famílias podem ficar tranquilas que ao colocarem os seus filhos no desporto não estão a expô-los a esta situação automaticamente e à necessidade de entrarem nestes esquemas de manipulação", sustenta Jorge Vieira.

Para o dirigente, que recorda que os praticantes de atletismo são dos atletas mais escrutinados, dado que a ingestão de um simples medicamento para a febre pode acusar doping, "o desporto continua a ser uma atividade saudável e recomendável".

"Há que combater estas situações e com os meios mais fortes, como a exclusão de todas estas pessoas que prevaricam nestes esquemas organizados. Aquilo que defendo é que atletas, treinadores e dirigentes que prevariquem devem ser afastados de toda a prática desportiva, sem apelo nem agravo, disse.

Jorge Vieira considera que todas estas situações são preocupantes para aquilo que é "o sonho ético de um desporto limpo, em que cada um compete com as suas próprias capacidades, limites, talentos e afastando qualquer forma de manipulação artificial do seu desempenho desportivo".

"Espero que a justiça a nível internacional, nomeadamente nas respetivas instâncias da IAAF e da Agência Mundial Antidopagem [AMA], tome os devidos cuidados para nos assegurar que estamos num sistema em que competimos de igual para igual", defendeu ainda Jorge Vieira.

Entre os atletas que a comissão quer ver afastados do atletismo está Mariya Savinova, campeã olímpica dos 800 metros nos Jogos de Londres2012, e Ekaterina Poistogova, bronze na mesma categoria.

A agência mundial criou uma comissão de três elementos, chefiada por Dick Pound, justamente com o objetivo de investigar os casos de doping, trazidos a público por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014.

De acordo com os responsáveis da Comissão, é muito claro que os casos de doping no atletismo russo "não poderiam ter acontecido" sem o conhecimento e consentimento do governo russo.

A AMA quer agora que a Rússia seja impedida de estar nas provas de atletismo dos Jogos do Rio2016, considerando que os resultados de Londres2012 foram "sabotados" pela presença de atletas dopados.

O presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, vai propor ao conselho diretivo que considere a recomendação da AMA para sancionar a federação russa, numa penalização que poderá levar à suspensão total e retirada dos atletas russos de futuras competições da IAAF.

Lusa

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