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Vice-presidente da FIFA extraditado para os EUA

O ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e vice-presidente da FIFA Juan Angel Napout, detido no início de dezembro em Zurique no âmbito do escândalo de corrupção que abala o organismo, foi hoje extraditado para os Estados Unidos.

© Jorge Adorno / Reuters

De acordo com o Ministério da Justiça Suíço, o paraguaio de 57 anos viajou para Nova Iorque escoltado por dois agentes da polícia norte-americana.

Detido a 03 de dezembro em Zurique, Napout aceitou a sua extradição para os Estados Unidos, apesar de numa primeira audição judicial após a sua detenção, em Zurique, ter recusado deixar a Suíça.

No mesmo dia foi também detido o vice-presidente da FIFA Alfredo Hawit e confirmada pelo Departamento de Justiça norte-americano a existência de 16 novos acusados no âmbito do caso, oito dos quais admitiram a sua implicação.

Hawit, que liderava interinamente a Confederação da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF), e Napout, o presidente da Confederação Sul-Americana (Conmebol), são suspeitos de terem recebido milhões de dólares em troca da venda de direitos de comercialização relacionados com torneios de futebol na América Latina, bem como dos jogos para as qualificações do Mundial.

O governo suíço confirmou novas detenções, mas apenas fez referência a dois casos que tiveram por base "pedidos de detenção apresentados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos a 29 de novembro de 2015".

Além de Hawit e Napout, foram indiciados o panamiano Ariel Alvarado, membro do Comité de Disciplina da FIFA e o peruano Manuel Burga, membro do Comité de Desenvolvimento da FIFA e antigo presidente da Federação de Futebol do Perú.

O hondurenho Rafael Callejas, atual membro da comissão de Televisão e Marketing da FIFA e o boliviano Carlos Chavez, tesoureiro da CONMEBOL, Luis Chiriboga, presidente da Federação de Futebol do Equador e membro do comité executivo da CONMEBOL estão também entre os indiciados.

Na lista de 16 novos suspeitos figuram ainda Marco Polo del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (que na semana passada anunciou sua demissão do Comité Executivo da FIFA), Eduardo Deluca, antigo secretário-geral da CONMEBOL, Brayan Jimenez, presidente da Federação de Futebol da Guatemala e membro do Comité da FIFA para o 'fair-play' e responsabilidade social.

O atual secretário-geral da CONMEBOL, o argentino José Luis Meiszner, o antigo tesoureiro da CONMEBOL e atual membro do Comité de Auditoria e 'Compliance' da FIFA Romer Osuna, bem como Rafael Salguero, presidente da Federação de Futebol da Guatemala, constam também da lista.

Entre os acusados estão também o brasileiro Ricardo Teixeira, antigo presidente da Confederação Brasileira e atual membro do Comité Executivo da FIFA, Hector Trujillo, secretário-geral da Federação de Futebol da Guatemala e juiz do Tribunal Constitucional do seu país, e Reynaldo Vasquez, antigo presidente da Federação de Futebol de El Salvador.

A FIFA foi abalada por um escândalo de corrupção em maio, a dois dias da reeleição de Joseph Blatter como presidente do organismo máximo do futebol mundial, num processo aberto pela justiça dos Estados Unidos e que levou à acusação de 14 dirigentes e ex-dirigentes.

No início de junho, Blatter apresentou a demissão, abrindo o caminho para novas eleições, que foram marcadas para 26 de fevereiro de 2016.

A 25 de setembro, o Ministério Público suíço instaurou um processo criminal a Blatter, que foi interrogado na qualidade de arguido, por suspeita de gestão danosa, apropriação indevida de fundos e abuso de confiança.

A 08 de outubro, Blatter, o secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, e o presidente da UEFA, o também francês Michel Platini, foram suspensos provisoriamente por 90 dias pelo Comité de Ética da FIFA, por implicação no escândalo de corrupção que atingiu a instituição.

Na base das suspensões estão os inquéritos que decorrem no próprio órgão da FIFA, ainda que vários outros responsáveis do organismo mundial estejam também a ser investigados pelas autoridades suíças e norte-americanas.

Lusa

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