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Jorge Jesus: "sou o que sou e não vou mudar"

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Jorge Jesus: "sou o que sou e não vou mudar"

O treinador líder da liga portuguesa deu uma entrevista exclusiva à SIC Notícias neste dia de aniversário. Fomos conhecer melhor Jorge Jesus, os seus métodos de trabalho dentro de fora de campo, os seus gostos pessoais e a relação com a família, numa entrevista com o jornalista Nuno Luz.

O que diz Jorge Jesus sobre ser treinador:

"Um treinador é um pouco como um jogador: tem de nascer com algum talento"


"O treino é um pouco a evolução do tempo, mas também da tua inteligência e criatividade"


"Acho que ao longo destes anos tenho trazido algumas coisas diferentes ao futebol"


"Processo criativo? É como num escritor ou num pintor. Isolo-me"


"Não sou um executante, são os jogadores. Mas sou um criador"


"O trabalho que tenho vindo a desenvolver deu-me um conhecimento, uma experiência, uma ciência que eu criei em relação à minha ideia de jogo"

"Para fazer uma ficha diária de treino, perco duas horas"


"O mais importante para a qualidade de um treinador é o treino. Mas isso não chega. Há também outras áreas. Por exemplo, a comunicação... que tens de perceber"

"Gosto de confrontos intelectuais, em função das ideias de cada um dos meus supostos adversários. Com jornalistas, não. "


"Tenho muitos anos de futebol e de comunicação com jornalistas. Sei com que intenção as perguntas são feitas e respondo consoante essa intenção."


"Procuro ser o mais sincero possível, com algumas consequências que me possam prejudicar"


"O mais importante para a qualidade do treinador é o treino. Mas isso não chega. Há também outras áreas"

"Sou o que sou e não vou mudar"
"Sou convencido? Sou. Porquê? Porque sou diferente no trabalho que faço"
"Quando acaba o jogo e vou para casa, vou é descansar. Às vezes nem me lembro muito bem do que disse e depois vejo na TV e penso «Disse isto tudo?! Nem sabia que tinha dito isto tudo»"


"Faz parte da estratégia do jogo? Também. Se isso ganha jogos? Não. Se tem influência? Tem. Nem que seja 1%"


A atenção ao relvado:

"E o corte da relva... se eu começar a falar aqui de pentes de relva..."


"Peço aos técnicos para não passarem do pente 21. Se calhar, para a maior parte dos treinadores isto é chinês. Se faz diferença nos resultado? Faz. Há ritmos de jogo diferentes e formas de jogar diferentes. Nos clubes com poucos recursos humanos estamos sempre em contacto com os homens da relva, eles vão-nos ensinando e vamos percebendo cada vez melhor as coisas"

"Um treinador de topo tem de ter muitas competências além do treino"


"Tem de saber organizar uma estrutura na área dele, tentar escolher as pessoas certas e potenciar as ideias que considera ser as melhores"

"Leio mais livros sobre outras modalidades do que futebol porque aproveito coisas para o futebol"


"Já vi mais, agora não vejo tanto. Via mais quando tinha de conhecer os jogadores individualmente. No meu antigo clube (Benfica) e agora tenho uma estrutura de scouting que me permite que não tenha de ver tantos jogos para descobrir jogadores"

"A minha forma de liderar uma equipa e a minha forma de ter ideias tem muito a ver com as características dos jogadores que tenho. Portanto, não paro de estudá-los ao máximo"

"O jogo é um desgaste enorme. Quando acaba estou extremamente cansado e com dor de cabeça"


"Apercebo-me com muita facilidade o que vai acontecer antes de acontecer"

Jesus e forma de falar com os jogadores:

"Não podia ser de outra forma: «Ó Slimani, se faz favor, não te importas de... estás mal posicionado!"
"Isso não existe. O futebol tem uma linguagem própria"

"Tenho uma história muito gira com o Sérgio Conceição. Fui treinador dele, como sabem"

"Supersticioso? Quase nada. Acredito muito mais no valor das pessoas"

A troca do Benfica pelo Sporting:

"Quando tomei a decisão não perguntei a ninguém"


"Quando decido, decido pela minha cabeça. Em tudo"

A família:

"Família? Queixam-se. Às vezes ponho trabalho à frente porque sei que a felicidade deles depende do meu trabalho"


"Fui habituado a ser muito feliz com muito pouco"


"Fui criado com poucas possibilidades económicas, mas com muito amor.

Portanto, as questões materiais ajudam alguma coisa, mas não são para mim o principal factor de felicidade das pessoas"

"A minha relação com o meu pai tem sido uma relação de luta. Dele, de sobrevivência."


"O meu pai é o meu grande mentor e o meu grande exemplo da minha vida"


"E agradeço-he toda a educação que me deu, os princípios que me deu. Não me deu a mim nem aos meus irmão uma qualidade de vida financeira porque não tinha. O meu pai foi um operário. Um pai exemplar. Trabalhou 45 anos numa empresa. Em 35 anos, faltou uma vez ao trabalho... Estou-lhe agradecido pelos valores da vida que me ensinou.
Não me deu um curso académico, porque não tinha capacidades. Mas a minha faculdade foi o futebol."


"Gostava que ele (pai) visse..."

Vir a ser selecionador:

"Não sei. Daqui a dez anos, talvez. Neste momento preciso do trabalho diário, não consigo viver sem estar no campo"


"Agora não. Preciso do dia-a-dia do campo. Daqui a 10 anos não sei."

Gostos pessoais:

"Não ligo muito à política. Fui habituado em casa, desde muito cedo, a ideias de esquerda"


"Candidato à presidência: se eu gostar da pessoa e se vir que ela se identifica comigo, voto nela"


"Não tenho música da minha vida. Mas tenho muito respeito por vários artistas que em Portugal mexem muito. Por exemplo, Toni Carreira mexe com milhares de fãs. Gosto dos concertos que ele faz. Gosto muito do João Pedro Pais. E depois tenho alguns amigos. Tenho um do tempo em que eu treinava o Estrela... o José Malhoa"

Onze da sua vida:

"Só com tempo. De momento, dificilmente tenho essa ideia. Mas teria de estar sempre Maradona, Cruyff, Eusébio, Cristiano Ronaldo e Messi. Pelo menos estes.."

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