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Um conto de fadas chamado Leicester

O Leicester City viveu em 2015/16 uma verdadeiro 'conto de fadas', tornando-se um dos mais inesperados campeões da história do futebol, ao vencer a Liga inglesa, 'apenas' o mais competitivo e complicado campeonato do Mundo.

© Reuters Staff / Reuters

Partindo de probabilidades de um para 5.000, o conjunto comandado pelo italiano Claudio Ranieri - que, como o Leicester, nunca havia sido campeão - superou todos os 'poderosos' do reino de 'sua majestade', incluindo Chelsea, Manchester City, Manchester United, Arsenal, Liverpool ou Tottenham.

Com uma equipa de 'tostões', composta por uma maioria de desconhecidos, talvez com exceção de Kasper Schmeichel, e por ser filho de Peter Schmeichel, ou Robert Huth, o Leicester 'furou' todos os prognósticos, para se tornar o 24.º campeão de Inglaterra, cujo palmarés não apresentava uma novidade desde o título do Nottingham Forest, em 1977/78.

Do nada para o 'estrelato, surgiram nomes com os do extremo Riyad Mahrez, eleito o melhor jogador da 'Premier League' pelo sindicato dos jogadores, e do ponta de lança Jamie Vardy, o melhor para os jornalistas.

O argelino, contratado ao Le Havre, da segunda divisão gaulesa, marcou 17 golos e foi o 'motor' ofensivo dos 'foxes, enquanto o internacional inglês, descoberto no Fleetwood Town, do quinto escalão inglês, foi o goleador da equipa, com 22: juntos, custaram menos de dois milhões de euros.

Wes Morgan, Marc Albrighton, Ngolo Kanté, Shinji Okazaki, Christian Fuchs, Daniel Drinkwater, Danny Simpson, Leonardo Ulloa, Andy King ou Jefferry Schlupp são também incontornáveis numa das mais inesperadas histórias do futebol.

O Leicester, que cumpre a 48.ª época entre os 'grandes' de Inglaterra, tinha apenas ficado três vezes no 'top 5' (terceiro em 1927/28, segundo em 1928/29 e quarto em 1962/63) e, entre 2004/2005 a 2013/14, esteve nos escalões inferiores, incluindo uma passagem pelo terceiro, a 'League One', em 2008/09, há apenas sete anos.

Da equipa que venceu o terceiro escalão, só há um resistente, o médio Andy King, mas muitos dos atuais jogadores chegaram com a equipa no segundo escalão e ajudaram o clube a conquistar o 'Championship' em 2013/14.

Na época passada, a primeira na 'Premier League' desde 2003/04, o Leicester foi apenas 14.º colocado, a 46 pontos do campeão Chelsea, de José Mourinho, e, para 2015/16, o objetivo era o de conseguir a manutenção, com a tranquilidade possível.

O cargo de treinador foi entregue ao italiano Claudio Ranieri e foram gastos menos de 40 milhões de euros em jogadores, com destaque para os 11 pagos por Okazaki, os oito por Kanté e os sete por Inler, que pouco veio a jogar.

Sem qualquer nome sonante, o Leicester impôs-se desde cedo com a equipa sensação, ao manter-se invicto nas primeiras seis jornadas (três vitórias e três empates), que concluiu no quarto lugar, a apenas três pontos do líder Manchester City.

À sétima jornada, e no primeiro jogo frente a um dos assumidos candidatos ao título, os 'foxes' foram goleados em casa por 5-2 pelo Arsenal e caíram para o oitavo posto, a quatro pontos do comandante, agora o Manchester United.

A maioria terá pensado que acabara ai o 'agigantamento' do Leicester, mas foi o contrário: a resposta foram cinco triunfos e um empate, que valeram a sensacional ascensão à liderança, à 13.ª jornada, após um claro 3-0 em Newcastle.

Então, apostar na vitória do Leicester ainda valia 100 para um, mas o 'onze' de Ranieri continuou a surpreender, a mostra qualidade, mesmo caindo na ronda seguinte para o segundo posto, ao empatar a um na receção ao Manchester United.

O encontro realizado a 28 de novembro de 2015 entrou para a história, já que, então, o 'intratável' Jamie Vardy marcou pela 11.ª jornada consecutiva, batendo o recorde do holandês Ruud van Nistelrooy (marcou em 10 jogos seguidos do Manchester United, entre 2002/03 e 2003/04).

Vardy 'falhou' no jogo seguinte, mas um 'hat-trick' de Mahrez selou o triunfo por 3-0 no reduto do Swansea e o Leicester voltou ao comando, que, à 16.ª jornada, defendeu com mestria na receção ao campeão Chelsea, ainda de Mourinho (2-1), para depois bater fora o Everton por 3-2.

As 'odds' ainda estavam em 20 para 1 e o 'onze' de Ranieri viveu, então, o primeiro período complicado da época: perdeu por 1-0 com o Liverpool, em Anfield Road, e, depois, empatou a zero nas receções a Manchester City e Bournemouth.

Apesar dos três jogos sem ganhar, a queda na tabela não foi grande, para o segundo lugar e a apenas dois pontos de um novo líder, o Arsenal.

O Leicester mostrou, então, que era mesmo candidato ao título, regressando após três jornadas (duas vitórias, a primeira na casa do Tottenham, e um empate) à liderança, que reforçou com mais dois triunfos marcantes: 2-0 ao Liverpool e, especialmente, 3-1 no reduto do Manchester City, que colocou a vantagem sobre o segundo em cinco pontos.

O Tottenham era agora o perseguidor mais próximo e logrou chegar-se a dois pontos, à 26.ª jornada, quando os 'foxes' caíram pela segunda vez face ao Arsenal, agora fora (1-2).

Quatro pontos nas duas rondas seguintes chegaram para 'esticar' o avanço para três pontos, para, então, aparecer um Leicester mais pragmático: quatro triunfos consecutivos por 1-0 'atiraram' a vantagem para sete pontos. O sonho do título parecia cada vez mais uma realidade.

Um empate 2-2 com o West Ham ainda fez os 'spurs' reaproximarem-se, mas, à 35.ª ronda, uma goleada ao Swansea (4-0), junto com um 'tropeção' do Tottenham no Bournemouth (1-1), colocou o título à distância da uma vitória.

O Leicester desperdiçou domingo esse primeiro 'match point', mesmo não falhando no reduto do Manchester United (1-1), mas, hoje, o Tottenham não foi capaz de vencer na casa do Chelsea (2-2) e estalou a festa dos 'foxes'...

Lusa

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