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Putin nega programa de doping apoiado pelo estado na Rússia

O presidente russo Vladimir Putin insistiu hoje que não há qualquer programa de doping no pais apoiado ou organizado pelo estado, horas antes da federação internacional de atletismo decidir se a nação pode participar nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

© Grigory Dukor / Reuters

"Não há e não pode haver qualquer apoio a nível governamental a violações no desporto, especialmente em questões de doping", frisou, em São Petersburgo. "Somos categoricamente contra o doping. Combatemo-lo e assim vamos continuar, ao mais alto nível", completou.

O governo russo apelou hoje à Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) para que levante a interdição de participação em competições internacionais imposta aos atletas russos.

"A Rússia fez tudo o possível para assegurar que os seus atletas participem nuns Jogos Olímpicos justos e limpos. Em função dos nossos esforços, peço-vos que reconsiderem a vossa posição sobre a suspensão dos nossos atletas", afirmou o ministro russo dos Desportos, Vitali Moutko, em carta aberta dirigida à IAAF.

O Conselho da IAAF, reunido hoje em Viena, vai tomar uma decisão sobre a participação dos atletas russos nos Jogos do Rio de Janeiro, no seguimento de vários escândalos de doping nos últimos meses, que levaram à suspensão da federação russa.

"Nós consideramos que os atletas limpos não devem ser punidos pelos atos de outros", sublinhou Moutko, acrescentando que a Rússia "apoio totalmente a luta contra a dopagem".

O ministro cita os "esforços" feitos pela Rússia, a reorganização da federação russa e ainda a adoção de regras mais estritas, depois de a Agência Mundial Antidopagem (AMA) ter divulgado um relatório em novembro de 2015 no qual denunciava a existência de um sistema de doping generalizado no atletismo daquele país.

"Os atletas russos não devem ser os únicos punidos por um problema que, como é largamente reconhecido, ultrapassa fronteiras. A Rússia fez tudo o que lhe foi pedido pela comissão da IAAF para ser readmitidas nas competições", sublinhou.

Na quarta-feira, a AMA divulgou um relatório demolidor sobre o trabalho recentemente desenvolvido na Rússia, referindo situações de ameaças, intimidação dos serviços secretos e grandes dificuldades para realizar controlos no país.

A AMA relata que agentes armados do FSB (serviços secretos russos) ameaçaram expulsar do país elementos das suas brigadas antidoping e cita casos de extrema dificuldade em se chegar a atletas residentes em cidades de difícil acesso.

O acesso foi pedido em fevereiro e só em maio ele foi garantido pela agência antidopagem russa (RUSADA), sem que, no entanto, tenham sido fornecidos documentos pelo ministério dos Desportos. Os controladores que tentaram a ir foram "vítimas de intimidação", acusa a AMA, pelo que foi muito complicado avaliar o progresso da Rússia no combate ao doping.

Foram feitos 2.947 controlos entre 18 de novembro 2015 e 29 de maio de 2016, com 52 resultados anormais, dos quais 49 por meldonium, só que, no mesmo período, ficaram por fazer 736 controlos, um número considerado muito elevado pela AMA.

Entre outras situações, a AMA cita ainda os casos de amostras colhidas na Rússia e enviadas para laboratórios acreditados fora do país terem sido abertas pela alfândega russa.

Lusa

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