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Médicos alertam que Rio de Janeiro não tem condições para receber Jogos Olímpicos

O Sindicato dos Médicos brasileiro alertou que o Rio de Janeiro não tem condições para receber os Jogos Olímpicos 2016, falando numa situação preocupante com sobrelotação, equipas desfalcadas e falta de medicamentos.

© Ricardo Moraes / Reuters

O alerta foi feito quinta-feira, no seguimento de uma vistoria conjunta com o Conselho Regional de Medicina do Estado em algumas unidades de saúde municipais, consideradas de referência para o atendimento durante os Jogos Olímpicos.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Dárze, revelou aos jornalistas que a vistoria mostrou uma "superlotação dessas unidades, principalmente nos setores de emergência" e "equipas desfalcadas".

Além disso, acrescentou, foram identificados alguns casos de faltas ocasionais de medicamentos, soro e material cirúrgico.

Frisando que se trata de uma "situação grave" e sem "perspetiva de solução no curto prazo", Jorge Dárze fez saber que o sindicato pretende acionar a Defensoria e o Ministério Público.

As duas entidades questionaram ainda o período de formação dos profissionais de saúde para atender à procura durante o maior evento desportivo do mundo, marcada para começar a 21 de julho, apenas 15 dias antes do início dos Jogos.

O presidente do Sindicato dos Médicos alertou que se houver uma ocorrência com múltiplas vítimas, como um acidente de trânsito ou confrontos entre apoiantes das equipas, as vítimas podem sofrer graves consequências por falta de estrutura.

"É uma situação que nos constrange enquanto profissionais de saúde do Rio de Janeiro. Nós vemos as autoridades a afirmarem que está tudo bem, mas os profissionais que trabalham na saúde sabem que não é bem assim", reforçou.

Em declarações ao portal de Internet G1, o secretário de Saúde do município do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, negou problemas e disse que a cidade se preparou para o evento, falando numa "demanda política" por parte dos médicos.

Daniel Soranz informou que foram feitos vários investimentos na área da saúde, como a construção de mais de 150 novas unidades de saúde entre 2008 e 2016, o que duplicou a capacidade de resposta.

"A maioria dos problemas que os turistas têm geralmente são de baixa complexidade, e eles podem procurar as clínicas da família e centro municipais de saúde, com padrão internacional de atenção primária", garantiu.

Nos primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul, que decorrem de 05 a 21 de agosto, são esperados 10.500 atletas de 206 países.

Lusa

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