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"Mentalizei-me que tinha de continuar a subir, com ou sem bicicleta"

O britânico Chris Froome (Sky) confessou hoje que sentiu que tinha de continuar, com ou sem a bicicleta, depois do incidente com a moto da organização que marcou o final da 12.ª etapa da Volta a França.

© Juan Medina / Reuters

"O [Mont] Ventoux é cheio de surpresas, mas não esperava isto", reagiu o ciclista da Sky, quando soube que tinha recuperado a camisola amarela, uma hora depois de a ter perdido para o compatriota Adam Yates (Orica-BikeExchange).

Quando o britânico seguia isolado na companhia do australiano Richie Porte (BMC) e do holandês Bauke Mollema (Trek-Segafredo), uma moto da organização, que parou abruptamente por não conseguir passar entre o público, provocou a queda do trio, com Froome a perder, na classificação geral provisória, a camisola amarela para o compatriota Adam Yates (Orica-Bike-Exchange), e a ser relegado para a sexta posição.

"Antes do último quilómetro, uma moto travou bruscamente diante de nós e nós entrámos-lhe pela traseira. Atrás de mim, uma outra moto partiu-me a bicicleta. Tive de correr a pé, sabia que o carro com a minha outra bicicleta estava muito atrás, cinco minutos mais atrás. Mentalizei-me que tinha de continuar a subir, com ou sem bicicleta. Não me restava outra coisa a fazer", descreveu o campeão em título e duplo vencedor da Volta a França.

Froome mostrou-se muito contente com a decisão do colégio de comissários, que optou por atribuir-lhe e a Porte o mesmo tempo de Mollema, o primeiro dos acidentados a cruzar a meta, a 05.05 minutos do vencedor da 12.ª etapa, o belga Thomas De Gendt (Lotto-Soudal).

"É a decisão correta. Agradeço-lhes, assim como à organização", salientou.

O mais prejudicado pela decisão foi Adam Yates, que ainda assim concordou com a opção do 'júri' das provas.

"Ninguém quer vestir a camisola amarela desta forma. Não me sentiria bem a usá-la depois disto. O ciclismo é o único desporto que permite ao público estar tão próximo, com os riscos que isso acarreta. Penso que os comissários tomaram a decisão correta", salientou o jovem britânico.

Outro dos afetados, Bauke Mollema, explodiu no Twitter: "Isto NÃO pode acontecer na maior prova do Mundo. Houve demasiados acidentes com motos esta temporada."

"O que é que se passa? Parece que toda a gente recebe bonificações. Pergunto-me o que teria acontecido se eu tivesse sido o único a cair", prosseguiu o holandês da Trek-Segafredo.

O australiano Richie Porte, o primeiro dos três a embater na moto, 'disparou' contra a organização.

"Se não conseguem controlar o público, o que conseguem controlar? O problema não são as motos, é o público. Eles estão na nossa cara o tempo todo, empurram os corredores e no topo, então, é de loucos", enumerou o ciclista da BMC.

Romain Bardet (AG2R), melhor francês e quinto da geral, criticou as condições em que decorreu o final da 12.ª tirada, que terminou no mítico Mont Ventoux.

"O que constato é que não temos condições para praticar ciclismo. Somos obrigados a travar quando atacamos, não sabemos para onde vai o percurso. Devemos poder exercer a nossa profissão em segurança. Vi o camisola amarela correr a pé, pensei que estávamos numa transição de triatlo", ironizou.

Antes deste incidente, já o belga Thomas de Gendt (Lotto-Soudal) tinha vencido a 12.ª etapa, uma ligação de 178 quilómetros entre Montpellier e Chalet-Reynard (Mont Ventoux), com o tempo de 04:31.51 horas, dois segundos à frente do compatriota Serge Pauwels (Dimension Data).

Lusa

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