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Gastão Elias assume que ainda está a readaptar-se ao piso rápido

Gastão Elias assumiu hoje à agência Lusa que nos últimos meses se ressentiu da preferência pela terra batida, mas mostrou-se confiante de que tem a qualidade necessária para chegar ao topo do ténis nacional.

Desde que se tornou no primeiro português a vencer um encontro em Jogos Olímpicos e que caiu na segunda ronda do Rio2016, no final de um verão fulgurante que o levou ao 60.º lugar do 'ranking', o número dois nacional não mais voltou a vencer no quadro principal de um torneio do circuito ATP.

"Não há muito segredo. Foi uma questão de adaptação. Durante anos joguei em piso rápido, nos Estados Unidos, e essa era a minha superfície favorita e onde jogava melhor. Depois fui para o Brasil e durante anos só joguei em terra batida. Acredito que não estaria onde estou hoje se não fosse todo o trabalho que fiz em terra batida, porque desenvolveu vários aspetos do meu jogo que precisavam de ser desenvolvidos e que foram muito importantes para a minha subida", analisou, em declarações à Lusa.

Gastão Elias estava mentalmente preparado para ter dificuldades na transição do pó de tijolo para o piso rápido e, por isso, a ausência de vitórias não o atrapalha.

"Estou cada vez melhor, sinto-me cada vez mais dentro de água a jogar em piso rápido. É uma questão de tempo, não estou preocupado. Os resultados vão aparecer", disse.

O 62.º jogador mundial, que tem estado a treinar no Centro de Alto Rendimento do Jamor (Oeiras), acredita que fazendo "alguns ajustes", nomeadamente na colocação no 'court' -- "Dou por mim a jogar um passo ou dois mais recuado, que é o habitual em terra batida" -, voltará a exibir o nível que o conduziu às primeiras meias-finais ATP da sua carreira, em semanas consecutivas, em Bastad (Suécia) e Umag (Croácia).

"Estava a jogar há muito tempo em terra batida e no pó de tijolo sinto-me totalmente confortável a jogar a este nível, como já demonstrei em vários torneios. Em piso rápido, os jogadores são os mesmos, por isso, em relação à confiança, não vejo que seja um grande problema, porque jogo com eles de igual para igual e acredito que posso ganhar", resumiu.

O jovem da Lourinhã, de 25 anos, é, para já, o terceiro melhor tenista português de sempre na hierarquia mundial, mas ultrapassar Rui Machado (59.º) não é algo que lhe ocupe o pensamento.

"Tenho muita confiança com o Rui e já lhe disse várias vezes: 'Ai Rui, estás tão perto'. Mas nem penso nisso. Seria mais uma etapa na minha carreira, mas não é o meu objetivo principal, nem nunca foi. O meu objetivo principal nunca foi superar os portugueses no 'ranking'", sublinhou.

Desafiado pela Lusa, Elias recusou que o melhor 'ranking' de sempre de um português -- o 28.º lugar de João Sousa, em maio de 2016 -- seja uma miragem.

"É alcançável. Eu acho. É muito difícil, claro, mas acredito que tenho potencial. Se formos analisar as coisas que faço, as minhas qualidades técnicas e físicas, acho que sou um jogador bastante completo. No entanto, posso fazer tudo certo e não chegar lá", pontuou.

Elias, que está radicado na Florida, assumiu que ter um compatriota na elite do ténis mundial é um fator de orgulho.

"Às vezes penso como é que um país como o nosso, tão pequenino, com tão pouca tradição no ténis, tem dois jogadores no 'top 100'. Há aí países fortíssimos, com tradição, que não têm duas pessoas no 'top 100'", congratulou-se.

Lusa

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