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Rússia atribui admissão de sistema de doping a declarações retiradas do contexto

© Sergei Karpukhin / Reuters

A Rússia atribuiu esta quarta-feira a declarações "retiradas do contexto" a admissão por parte da diretora-geral da agência antidopagem, Anna Antseliovich, de um sistema generalizado de doping no país, em entrevista ao diário norte-americano New York Times.

Antseliovich admitiu pela primeira vez a existência de um sistema de doping em "larga escala" na Rússia, falando de uma "conspiração institucional", mas negando a tese de que a rede de dopagem entre os atletas de elite tenha sido patrocinada pelo Estado.

A Agência Russa Antidopagem (Rusada) lamentou que as declarações de Antseliovich tenham sido "retiradas do contexto e deformadas" e a própria diretora-geral do organismo disse esperar ter-se tratado apenas de um mal-entendido, mas o jornal reafirmou a veracidade da versão que publicou.

"Desde o início deste processo, sempre negámos qualquer implicação do Estado russo, de organismos ou serviços governamentais", reafirmou Dmitri Peskov, porta-voz de Vladimir Putin.

Um recente relatório do jurista canadiano Richard McLaren, solicitado pela Agência Mundial Antidopagem (AMA), denunciou um programa institucionalizado de dopagem na Rússia, que implicou cerca de 1.000 atletas em práticas ilegais nos Jogos Olímpicos de verão Londres2010 e de inverno Sochi2014.

Em consequência da primeira parte do relatório, divulgado em julho, a Rússia foi impedida de competir nas provas de atletismo dos Jogos Rio20016 e também toda a equipa paralímpica russa foi excluída pelo Comité Paralímpico Internacional (CPI) da competição realizada no Rio de Janeiro.

Ao New York Times, Anna Antseliovich mostrou-se "chocada" com as conclusões do relatório e insistiu que "não houve qualquer envolvimento das autoridades russas".

Vitaly Smirnov, antigo ministro do desporto e ex-presidente do Comité Olímpico da Rússia, escolhido agora pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, para supervisionar uma política de reformas no desporto do país, admitiu que "foram cometidos vários erros", mas também negou qualquer patrocínio das autoridades governamentais.

Para Smirnov, a Rússia teve um tratamento de 'tolerância zero', ao contrário de outros países.

"A Rússia nunca teve as oportunidades dadas a outros países. O sentimento geral é de que a Rússia nem sequer teve uma oportunidade [de se defender]", referiu Smirnov ao New York Times.

Lusa

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