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Novas restrições na China levam à saída de jogadores estrangeiros e suspendem contratações

Um dos jogadores cuja contratação foi anulada à última da hora é o benfiquista Raul Jimenez, que estava para assinar pelo Tianjin Quanjian.

© Rafael Marchante / Reuters

Vários clubes chineses de futebol cancelaram a contratação ou deixaram sair jogadores estrangeiros, depois de a liga chinesa ter anunciado a redução do número de futebolistas estrangeiros permitidos em campo por equipa de quatro para três.

Um dos jogadores cuja contratação foi anulada à última da hora é o benfiquista Raul Jimenez, que estava para assinar pelo Tianjin Quanjian, admitiu o presidente do clube.

"Ainda ontem [Notes:terça-feira] estávamos preparados para contratar dois jogadores, o preço e os salários estavam acertados. Eram o Falcão e o Raul Jimenez. Os dois atletas estavam prontos para assinar, mas depois recebemos o aviso", disse Shu Yuhui à Tianjin TV.

O mesmo clube está também a negociar a saída do avançado brasileiro Luís Fabiano, que já alinhou pelo FC Porto, devido às novas restrições.No Tianjin Teda, conjunto treinado pelo português Jaime Pacheco, o brasileiro Wágner Ferreira rescindiu na quarta-feira para assinar pelo clube do Brasil Vasco da Gama.

No mesmo dia, o francês Gael Kakuta deixou o Hebei CF rumo ao clube espanhol Deportivo da Corunha; o paraguaio Óscar Romero, que jogava no Shanghai Shenhua, assinou pelo Alavés.

A Associação Chinesa de futebol anunciou na segunda-feira a redução do número de jogadores estrangeiros permitidos em campo por equipa de quatro para três, depois de os clubes chineses terem batido sucessivos recordes em gastos com estrelas internacionais.

Segundo os novos regulamentos, no 'onze' em campo podem alinhar, no máximo, três jogadores estrangeiros.As regras entram em vigor a partir da próxima época, que na China se inicia em março.

O regulamento anterior permitia quatro jogadores estrangeiros no 'onze', desde que um fosse de uma federação asiática.Jian Kang, assistente do diretor da Beijing Jingji Success Sports Management, empresa chinesa de agenciamento de atletas de alta competição, disse que as novas regras vão prejudicar sobretudo os futebolistas asiáticos.

"Para os jogadores sul-coreanos não será bom", disse Kang à agência Lusa. "Já para os futebolistas chineses é positivo; terão mais oportunidades", acrescentou.

O técnico português André Villas-Boas, agora ao serviço do Shanghai SIPG, que no mês passado pagou ao Chelsea 60 milhões de euros (ME) pelo médio brasileiro Oscar, criticou a decisão das autoridades.

"A maioria dos clubes planeou a equipa tendo em conta as regras anteriores", apontou o ex treinador do FC Porto, citado pela imprensa chinesa. Villas-Boas disse também que as novas medidas levarão ao aumento da competição por talentos chineses, criando uma 'bolha' no mercado de transferências doméstico.

Na semana passada, o Tianjin Quanjian pagou quase 10 Milhões de euros pelo guarda-redes Zhang Lu, que se tornou o jogador chinês mais caro de sempre.Além de Óscar, o SIPG conta ainda com os antigos portistas Hulk e Ricardo Carvalho, o avançado Elkeson e o defesa central uzbeque Akhmedov, contratado no mês passado por oito ME.

No total, as 16 equipas que disputam a Superliga chinesa investiram, em 2016, mais de 460 milhões de euros na contratação de jogadores estrangeiros, cerca de três vezes o montante gasto no ano anterior.

Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, a China figura em 82.º no 'ranking' da FIFA, atrás de muitas pequenas nações em vias de desenvolvimento.O Presidente chinês, Xi Jinping, descrito como um grande adepto do futebol, já assumiu o desejo de converter a China numa potência da modalidade.

Lusa

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